Passeando por aí
Eu comigo mesma
E mais ninguém
Pra ficar tudo bem
Ofuscar os problemas
Tornar as dores pequenas
Esquecer que os momentos
Se convertem em pensamentos
Eles são como bolinhas de metal pesado
Girando pra todo lado
Agora vê se te vira e agüenta
A confusão que se faz
Na caixinha de massa cinzenta
Que faz pesar
O que era leve
Leve
Me faltam músculos morais
Pra carregar tantos ais
Ah, que bobagem
Logo eu, que não confundo
Amor com miragem
Pergunto à nuvem negra
Quando é que o sol vai brilhar
E a mim mesma
Se minha razão vai voltar
"Quem não tem visão
bate a cara contra o muro"
Sabe
Eu nunca fui
Alguém de muitas certezas
Mas tem alguma coisa
Por trás desses olhos
Que me aflige
E é fulminante
A vontade de estar
Em qualquer lugar
Que você lance o olhar
E já não mais cabe
Tanta aflição
Por não saber
Por não ver
Por temer
Que tantas cores
Se desbotem assim
Pra mim
Deixando tudo aqui dentro
Em absoluta revolução
Ah...certas imagens
São capazes
De congestionar um coração.
14 de janeiro de 2007
Saudadezinha inconseqüente
Passeando por aí
Eu comigo mesma
E mais ninguém
Pra ficar tudo bem
Ofuscar os problemas
Tornar as dores pequenas
Esquecer que os momentos
Se convertem em pensamentos
Eles são como bolinhas de metal pesado
Girando pra todo lado
Agora vê se te vira e agüenta
A confusão que se faz
Na caixinha de massa cinzenta
Que faz pesar
O que era leve
Leve
Me faltam músculos morais
Pra carregar tantos ais
Ah, que bobagem
Logo eu, que não confundo
Amor com miragem
Pergunto à nuvem negra
Quando é que o sol vai brilhar
E a mim mesma
Se minha razão vai voltar
"Quem não tem visão
bate a cara contra o muro"
Sabe
Eu nunca fui
Alguém de muitas certezas
Mas tem alguma coisa
Por trás desses olhos
Que me aflige
E é fulminante
A vontade de estar
Em qualquer lugar
Que você lance o olhar
E já não mais cabe
Tanta aflição
Por não saber
Por não ver
Por temer
Que tantas cores
Se desbotem assim
Pra mim
Deixando tudo aqui dentro
Em absoluta revolução
Ah...certas imagens
São capazes
De congestionar um coração.
11 de janeiro de 2007
Fome de amor cortês
Com a palavra, Arnaldo Jabor:
Abre parênteses
Dia
Logos:
Hoje, numa loja qualquer:
- Procura uma P aí.
- Hum, acho que não tem.
- Tem que ter...
- Não tem, tô te dizendo, só G.
- Claro que tem, né, ninguém quer ser G!
10 de janeiro de 2007
Pra não dizer que não lembrei das flores.
1968 , Rua Maria Antônia, prédio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. A porta da sala de aula é aberta como se tivesse levado um coice e aparecem três soldados armados com metralhadoras. Diante de 200 alunos, a professora de Ciências Sociais, Jessita Nogueira Moutinho, de 24 anos, encara bem os soldados e, com voz firme, pergunta:
- Vocês são meus alunos?
-Não, mas é que estamos procurando uma pessoa e...
-Isto aqui é uma sala de aula e aqui dentro só ficam o professor e alunos. De maneira que vocês podem se retirar. Se vocês querem pegar alguém não será em minha aula. Com licença, por favor.
A professora indica a porta, os soldados saem e esperam do lado de fora. Quando a aula termina, os soldados entram de novo, mas o tal aluno, claro, já estava longe.
No início de 1970, Chico volta ao Brasil em meio a um estardalhaço (organizado por recomendação de Vinícius), que incluía especial para a Globo, show no Sucata e o lançamento do LP Chico Buarque Vol 4. Mas o Brasil não era aquele descrito nas cartas de André Midani. A tortura e desaparecimento de pessoas contrárias ao regime do general Médici eram uma constante. O ufanismo do ditador ("Ninguém segura este país") aderia aos carros ("Brasil, ame-o ou deixe-o", quando não "Ame-o, ou morra!"), e a algumas canções populares ("Ninguém segura a juventude do Brasil"), tudo isso no ano que a seleção canarinho conquistaria o tricampeonato mundial. Chico fez "com os nervos mesmo" Apesar de você e enviou para a censura certo de que não passaria. Passou. O compacto com Desalento e Apesar de você atingia a marca de 100 mil cópias quando um jornal insinuou que a música era uma homenagem ao presidente Médici. A gravadora foi invadida, as cópias destruídas. Num interrogatório quiseram saber de Chico quem era o VOCÊ: "É uma mulher muito mandona, autoritária", disse ele.
(Muito bom, Chico! Muito bom.)
Juntos, viram o homem pisar pela primeira vez na Lua, em julho de 1969. À distância, acompanharam o surgimento da luta armada no Brasil, o primeiro seqüestro de um embaixador estrangeiro para obter a libertação de prisioneiros políticos, o dramático esfarinhamento da esquerda brasileira em miríades de grupúsculos. Em novembro, Toquinho resolveu voltar. No último dia, foi ao apartamento de Chico e lhe mostrou um samba ainda sem letra. Só então teve coragem de contar que estava partindo. "Fiz essa música de saudade mesmo", disse, "vou embora amanhã". Era o Samba de Orly, com todo aquele clima de exílio, de impossibilidade. Toquinho conta que Chico fez na hora os versos finais:
E diz como é que anda aquela vida à toa e se puder me manda uma notícia boa
Bem depois, quando estava preparando o LP Construção, Chico convidou Vinícius para ajudar na letra. Três dos versos que o poeta escreveu:
pede perdão pela omissão um tanto forçada...
8 de janeiro de 2007
"Não me leve a mal, me leve apenas para andar por aí"
O tempo, nublado
A cor, cinza
Os humores, eufóricos
A música, alta
Horas a menos
Ares amenos
Pessoas, muitas
Dinheiro, pouco
Madrugada adentro
Mundo afora
A rua, entupida
Os copos, cheios
A alma, vazia
O clima, leve
Pensar, fato
Sentir, ato
O encanto, exato
Os silêncios, intencionais
O cheiro, característico
O gosto, velho conhecido
Os abraços, bem vindos
O riso, uníssono
Os devaneios, contínuos
Seriedade, onde?
Importância, importa?
Doçura, eu vi, eu vi!
O tempo, breve
As cores, todas
Aqui
Ali
Pra cá
Pra lá
Compaixão
- ei! -
Com paixão.
Abre aspas, Guimarães Rosa, 'O grande sertão veredas' :
"Entendi aquele valor. Amizade nossa ele não queria acontecida simples, sem encalço. A amizade dele, ele me dava. E amizade dada é amor. Eu vinha pensando, feito toda alegria em brados pede: pensando por prolongar. Como toda alegria, no mesmo do momento, abre saudade. Até aquela - alegria sem licença, nascida esbarrada. Passarinho cai de voar, mas bate suas asinhas no chão."
lindo de doer isso, cara!
5 de janeiro de 2007
Vem cá.
30 de dezembro de 2006
21 de dezembro de 2006
Simpatia não é nada banal, dá dizia Casimiro de Abreu.
20 de dezembro de 2006
Sensibilidade.
11 de dezembro de 2006
Café e bobagem.
Tem dias que a gente senta e toma coragem
Tem dias que a gente senta e toma uma cerveja
Tem dias que a gente senta e toma uma decisão
Tem dias que a gente senta e toma um tapa na cara
Tem dias que a gente senta e toma qualquer coisa...
Olho para baixo, e você no meu café.
1 kg de sentimento não-perecível
Foto: Guimarães Rosa, O grande sertão: veredas (Estação da Luz)
Definições pra cá
Definições pra lá
E eu que só queria um lugarzinho pra me encostar
Desses aconchegantes, acolhedores
Como abraço com cheiro de banho
Me recolhe pra dentro
De onde quer que seja
E me conta de você
Mesmo que não seja interessante
Nem sempre podemos ser interessantes
Na maior parte do tempo nos resumimos a um ser de saco-cheio, cansado, querendo explodir, ou querendo um lugar
Pra se encostar...
"O melhor está nas entrelinhas"
Acredito nisso
Engoli essas palavras e vomitei-as em forma de certeza
Certeza de que é assim, é simples.
Não precisa ser de outro jeito
Mas as definições gritam!
Definições inteligentes, profundas, retóricas
A vida dispensa a metafísica?
Mas se o amor fosse comparado a coisas desse mundo teimoso
Trataria de definí-lo como algo bem pragmático, que é pra perder a graça
E eu parar de querer definí-lo
Logo eu, que sempre carrego grandes quantias
Nunca me dão troco
E eu saio só com o sorriso amarelo
E com uma mão na frente, e a outra atrás.
Essa bobagem não satisfaz
Não falo de coisa muito séria, não
Aquela coisa que põe aliança e apresenta para os tios
Não.
Apresenta para a alma, que já fica tudo bem.
Procuro doçura nos potes de açúcar - adoçante não, obrigada.
Com a acidez da vida a gente se entende
Adoça daqui, adoça de lá
E eu que só queria um lugarzinho pra me encostar.
4 de dezembro de 2006
Vida: qualquer coisa diferente de obrigação. "Ah, isto é que é vida", dizem as pessoas quando saem de férias... Esperando pra poder dizer isso, e com um enorme sorriso no rosto!
"Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Escreva por algum motivo, mas o faça. Ou escreva só para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite, se quiser."



