<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989</id><updated>2011-11-27T23:08:41.809-02:00</updated><title type='text'>a vida não é um armário</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>57</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-3241935661624459694</id><published>2009-12-07T00:31:00.009-02:00</published><updated>2009-12-07T00:57:35.964-02:00</updated><title type='text'>Rua do Carmo, nº 17 (parte II)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SxxpwIPQ0iI/AAAAAAAAASk/H5eC7XBwiBk/s1600-h/CIMG7790net_Layer+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SxxpwIPQ0iI/AAAAAAAAASk/H5eC7XBwiBk/s320/CIMG7790net_Layer+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412317127758631458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;p&gt;Só para contrariar a vontade das histórias que são escritas para não serem lidas, foi lida. E foi lida justamente pela pessoa que a protagonizava, também para contrariar a vontade das histórias reais que são escritas com vontade de ser ficção. Cabral, o simpático dono do Sebo mencionado &lt;a href="http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/02/rua-do-carmo-n-17.html"&gt;neste post&lt;/a&gt;, adivinhou a realidade da minha história. Não costumo escrever em primeira pessoa, justamente para me afastar do que digo, mas esse incidente fez com que eu me rendesse ao comprometimento.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;João Cabral Pimenta, personagem de que me apropriei, descobriu, tal qual a figura histórica homônima, a minha história. Ela foi escrita depois de uma viagem a Bahia, no ano passado, por um acaso, assim como eu por acaso a escrevi. Escrevi para marcar os momentos bons que vivi; para relembrar a sensação que tive nas poucas horas em que estive lá e conversei com aquelas pessoas. Cabral-bonachão e doce-Vivi.
&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O reencontro começou num comentário, misto de surpresa e indignação de Cabral, que me escreveu se defendendo da caracterização que dei a ele: “não sou tão velho como você disse, talvez semi-novo”, disse ele, num recado datado de 8 de março deste ano. Eu, sempre desajeitada, esqueci de avisá-lo do teor da minha história. Ela deveria vir etiquetada, como que alarmando: “esta é uma história real, mas tem alguns detalhes pendurados entre a realidade e a ficção – o que também costumam chamar de imaginação”. Desde então, trocamos e-mails que tentam ignorar a geografia. Eu dizendo que tenho saudades da Bahia, Cabral simplificando tudo me descrevendo o céu azul que faz lá. Eu me lamentando por não ter muitas fotos da loja, Cabral respondendo prontamente com quatro ou cinco fotos que remediam minha nostalgia - como essa, que ilustra este post. São e-mails carinhosos, que mantém o único contato que poderiam ter duas pessoas de Estados diferentes: bendita tecnologia! Pensando bem, parece até irônico, já que Cabral é dono de uma loja que se mantém por nostalgias: dá preço às velharias, perpetua pedacinhos de passado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Bom saber que eles continuam lá, e que o lugar significa, dia após dia, a possibilidade de que outra pessoa saia dele fascinada, como eu saí. Fascinada não pelo fato de que aquelas quatro paredes desafiam as leis da Física ao tentar fazer caber o mundo dentro de um espaço muito pequeno; nem porque ele vende raridades e artigos inusitados; tampouco porque ele contraria a lógica econômica ao vender preciosidades a preço de banana, mas pela tranqüilidade que paira ali, quietinha, entre quinquilharias e muito pó. Concordando com Eduardo Galeano, as lembranças que me assaltaram nesse reencontro, ainda que virtual, com Cabral, me convenceram de que recordar é mesmo “tornar a passar pelo coração”. A Cabral e Vivi, deixo um enorme beijo e a promessa de um reencontro que, ao contrário da minha história, tem toda a pretensão de ser de verdade.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: courier new;"&gt;
&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:courier new;" &gt;Foto: uma das relíquias da loja: caixa de fotos 3x4 perdidas. créditos: Cabral&lt;/span&gt;
&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-3241935661624459694?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/3241935661624459694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=3241935661624459694' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/3241935661624459694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/3241935661624459694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/12/rua-do-carmo-n-17.html' title='Rua do Carmo, nº 17 (parte II)'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SxxpwIPQ0iI/AAAAAAAAASk/H5eC7XBwiBk/s72-c/CIMG7790net_Layer+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-4949672911365289182</id><published>2009-11-23T17:39:00.004-02:00</published><updated>2009-11-23T17:50:06.043-02:00</updated><title type='text'>Entre parênteses</title><content type='html'>&amp;nbsp;&lt;p&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Essa coisa de ser como árvore me incomoda. Já dizia Eça de Queiroz que "a vida é essencialmente vontade e movimento". Não sou árvore, não quero ser árvore, mas preciso ser, e confesso que sou. Preciso de minhas raízes, se saber onde eu começo para entender onde eu termino. Preciso me fincar, nem que por pouco tempo: ter meu ancoradouro. Me agrada mais a idéia de ser catavento, que a cada giro mostra uma cor diferente. Mas é preciso ter cautela, saber que até para ser catavento há que se estar submetido a alguma coisa, afinal, é estar totalmente a mercê da vontade do vento. Quero mesmo é ser metade árvore, metade vento. Vento para nunca parar de soprar, e árvore para sempre ter debaixo de onde descansar.&lt;/span&gt; - pensava ela debaixo de uma aconchegante árvore, enquanto o vento soprava ligeiro o tédio de uma manhã de terça-feira.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-4949672911365289182?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/4949672911365289182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=4949672911365289182' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/4949672911365289182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/4949672911365289182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/11/entre-parenteses.html' title='Entre parênteses'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-888953796100989828</id><published>2009-10-31T03:01:00.000-02:00</published><updated>2009-10-31T03:05:56.516-02:00</updated><title type='text'>"É por dentro!"</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cmarcelo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cmarcelo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cmarcelo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt; 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 &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} @font-face 	{font-family:Verdana; 	panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin-top:0cm; 	margin-right:0cm; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0cm; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 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Ela, a passos pequenos, sentou-se num lapso de cumplicidade junto dele, joelho a joelho, para escutar o que achou que seriam apenas lamúrias finalmente libertas, ou afliçõezinhas estúpidas que de tão pequenas só sabem apertar, e não fazer doer. Mas elas não vinham, tímidas, com medo do mundo de fora, que poderia ser pior que o de dentro. Continuaram enfurnadas onde não poderiam estar, onde nunca poderiam ter estado. Pensou em assoprar, mas ainda ardia. Os conselhos como bisturis desajeitados querendo vencer os músculos do coração e entrar onde a dor estava para arrancá-la com a brutalidade de um Neandertal. A técnica do band-aid - rápido e indolor - não seria suficiente: era uma polifonia de feridas sussurrando socorro, implorando cura, adivinhando demora; e a mão para puxar o band-aid, uma só, uma e inoperante, só.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Até a palavra, irrequieta, soltou as mãos com fineza e se escondeu, sabendo-se incapaz de continuar: como se verbaliza uma agonia?  Lembrou das aulas de Linguística. Recolheu todos os farelos esmigalhados da Teoria dos Atos de Fala com desespero, tentando encontrar algum alento. Ilocução, perlocução: nada o ajudaria a proceder. O problema não era o que dizer, como dizer, com que intencionalidade dizer. O problema era técnico: não havia letra em nosso minguado sistema verbal - e nem em outro qualquer - que pudesse se juntar a outras mais e compor algum discurso que fizesse sentido. Era como querer explicar em palavras o que é um suspiro. A palavra suspiro vai até onde as letras acabam, suas sensações ficam apenas naquele que suspira. Bom seria se elas flutuassem, mostrassem algum molejo, algo que suspirasse, mas letras são só letras, e suspiros são intransferíveis. Ou seja, ele estava sozinho, desamparado: "até tu, Austin?" - os pensamentos diziam. Saber como sair dali também não adiantaria; resultaria numa noite de insônia remoída à exaustão. “Os gestos!”, lembrou deles. Sacanas, se esquivaram todos até sobrar apenas um, encolhido no canto, olhando para o lado e sabendo-se última esperança, último desfecho não-letal daquilo tudo. Ligeiro, o aperto de mão escapou entre os dedos e fugiu. Foi aí que o abraço veio em redenção, num ato solidário que substituiria qualquer discurso. "Um drible, cheio de malandragem, na linguagem" - orgulhava-se, sobretudo da rima. A ação é a única saída para que não se fatiguem as palavras, é um descanso nessa loucura de dizer o tempo todo. Mas no fundo sabia: só há gesticulação em demasia porque faltam palavras para dizer o que precisamos; eis esse mundo desajeitado em que os gestos atropelam, minuto a minuto, infinitas possibilidades de dizer. Aqui, quem tem delicadeza é rei. A única conclusão, meio caduca, ficou enroscada no abraço: muitas de nossas dores fazem parte das pessoas que nós inventamos. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-888953796100989828?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/888953796100989828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=888953796100989828' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/888953796100989828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/888953796100989828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/10/e-por-dentro.html' title='&quot;É por dentro!&quot;'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5087573602276694291</id><published>2009-10-29T11:27:00.004-02:00</published><updated>2009-10-29T11:34:43.974-02:00</updated><title type='text'>Ode tardia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" &gt;De volta à ficção&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;...


&lt;p&gt;   De todas as partes que compõem o curvilíneo contorno feminino, ela é a mais subestimada. Compete com entidades aclamadas da anatomia; as bundas, os seios – até mesmo os ombros, para os admiradores mais polidos – protagonizam com avassaladora indiferença os seus pequenos holocaustos: a batata da perna é uma esquecida. Dotada de feminilidades de donzela, é sensível a grandes esforços, terrenos íngremes e intensos acúmulos de ácido láctico - únicas situações, aliás, em que é minimamente rememorada. Ela não tem poema, não jaz eternizada em nenhum clássico renascentista e nem estocou seus gracejos na memória da música brasileira: não é a coisa mais linda e cheia de graça que desfila a caminho do mar. Nem ao menos presta-se às rimas: nada que seja minimamente refinado rima com batata. Por isso, é consenso que a chamem de panturrilha, nome sisudo, ortodoxo, que nada combina com sua feição desinibida e ainda a suprime de sua mais notável característica: a graça. Ela fica embaixo, onde só os olhares demorados botam reparo, e nem mesmo esses demoram o suficiente para adivinhar algum encanto nesse recôndito sítio anatômico. Atraem olhares o rosto, os ombros, o colo, o dorso, a cintura e as coxas, ainda que não respectivamente, mas a vez da infortuna batata, pobrezinha, nunca chega. Periga ser esquecida para sempre a amargar frustrações junto ao ossudo e desdenhado tornozelo. À exigência implacável dos critérios masculinos, não basta a curvatura desenhada, o sutil sombreamento dos joelhos nas formas bem torneadas; há que ser suscetível de beijos calorosos, e caso não seja, é abandonado. E o mais injusto é que, sem a batata, a perna seria só uma fina estrutura longilínea desprovida de qualquer curvatura, algo muito esquisito, joelho e tornozelo se encontrando em uma linha previsível: sem a batata, não haveria mistério, a perna seria só perna, sem nada para adivinhar. E no entanto, lá está ela, engolindo com seca destreza todas as homenagens negadas, todas as odes suprimidas, toda a fatalidade que lhe coube apenas por ser batata. Vencida até mesmo pelos braços de uma tal de dona Severina, a batata da perna é o ostracismo do corpo.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5087573602276694291?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5087573602276694291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5087573602276694291' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5087573602276694291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5087573602276694291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/10/ode-tardia.html' title='Ode tardia'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5957649038798018757</id><published>2009-10-26T16:24:00.008-02:00</published><updated>2009-10-27T00:27:10.525-02:00</updated><title type='text'>Reportagem - A energia que circula</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;



&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De trejeitos amistosos, a ema é considerada a maior ave brasileira. É sempre muito solícita quando tentam alguma aproximação e, apesar de possuir asas enormes, ela não voa. A ema em forma de boneco do Bloco da Ema, grupo carnavalesco do interior de São Paulo, confirma todas essas características, acrescida de uma singularidade: já que não pode voar, pula carnaval sem se importar se é ou não fevereiro. Confeccionada conforme a criatividade de cada ano, ela espera tranqüila pelos passos que irão compor o seu vazio. &lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Embalado por alfaias, caixas e ganzás, o batuque do Bloco da Ema transporta para São Paulo as cirandas, o frevo e o maracatu: a cultura nordestina guardada num bloco de rua. Feitas de retalhos de pano e materiais reciclados, as personagens Boi Alado e Cavalo Marinho ajudam a compor o cenário, apertando os foliões que os representam e quase os sufocando no calor de fevereiro.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A velha história de que “se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai até a montanha” não se aplica à vida de Marcos Antonio Azevedo de Souza – o Tony, idealizador do Bloco. Nesse caso, a montanha não foi a Maomé e ele tratou de forjar a sua vinda.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nascido em Pernambuco, Tony veio para Piracicaba, interior de São Paulo, em 2002. Passou alguns anos ignorando a distância e enganando a saudade em suas idas para Recife. Há sete anos, resolveu vencer a geografia e montar em Piracicaba um pedacinho de sua terra natal: nasceu, assim, o Bloco da Ema. Maomé e montanha continuaram em seus lugares, e a tímida cidade paulistana ganhou uma rota de fuga do carnaval que se vê por aí.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Bloco da Ema é o ponto de convergência dos vários públicos de Piracicaba. Todo fevereiro, centenas de pessoas se reúnem para compartilhar o saudosismo de outros carnavais – aqueles mais ingênuos, de fantasias, sapatilhas e confetes. O Bloco da Ema é cheio de nostalgia, mas não daquelas encharcadas de sentimentalismo, e sim das que querem trazer de volta ao coração as lembranças de tempos que não voltam mais.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando chegou, Tony, muito cauteloso, achou que seria injusto trazer Pernambuco para a cidade sem criar um elo entre os dois. Foi aí que ele vasculhou a cultura piracicabana até encontrar a tão necessária familiaridade. O batuque de umbigada, o samba-de-lenço e a Congada do Divino, se tornaram o gancho perfeito de que o artista precisava. Tony pegou a cultura pernambucana por uma mão, a de Piracicaba pela outra, e juntou as duas numa mesma ciranda. “É uma cultura muito rica, e os próprios moradores não se dão conta”, indigna-se Tony. Foi preciso essa certeza vir de fora para se tornar óbvia. Às vezes, só observando as coisas com olhar de turista é possível algum deslumbre sobre o que se vê todos os dias.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele chegou à cidade como artista plástico, mas foi como músico que ele permaneceu. Curiosamente, para ele, aquele era um momento de deixar a música de lado e focar nas artes. De início, começou a trabalhar na montagem e monitoramento do Salão de Belas Artes de Piracicaba. Mais tarde, apenas, é que ele se reconciliou com a música. Tentando justificar-se, Tony relembra seu pensamento da época: “Já tem tanta gente fazendo; o que eu posso fazer que seja realmente novo?”. Por sorte, não demorou muito para que ele descobrisse na música o poder de transformação presente nas artes plásticas. “Sou muito ligado nessa coisa da mudança. Eu olho para uma obra e penso ‘a tinta e a madeira se transformaram nisso, que é abstrato, se existe é porque eu criei”, conta, extasiado. “Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?”, é a frase que ilustra o folder de uma de suas exposições.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi dessa fonte cheia de bons intentos que emergiu o Bloco da Ema. O transporte imaginário de Pernambuco para Piracicaba demandava energia, que deveria ser compensada pelas características afins entre os dois. “No começo, disseram que eu era doido, que esse não era o jeito de o piracicabano pular carnaval”. Assim mesmo, não temendo assustar ninguém por saber-se inofensivo, o Bloco da Ema desfilou em seu primeiro ano com minguados acompanhantes, num cortejo de maracatu e marchinhas, que, se não gerou muita repercussão, ao menos inseriu o nome da Ema no circuito cultural da cidade.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas não é esse anseio de nostalgia que vai fazer com que o carnaval dos funks e trios elétricos perca seu fôlego. Todo ano, atulhado de letras eróticas e foliões ousados, o carnaval se manifesta das mais diferentes maneiras em todos os cantos do país. Seja sob a forma de bonecos nas ruas de Olinda ou de trancinhas no cabelo da mais recente revelação baiana, o carnaval pula. Por isso, o folclore de Pernambuco trazido por Tony para São Paulo é só mais uma peça da engrenagem que move o carnaval, que não anula as maneiras já existentes de festejá-lo, mas com elas pacificamente coexiste.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A Recife improvisada de Tony é menor, sem grandes pretensões e não tem mar com que se possa sincronizar a cadência do carnaval, mas não economiza ritmos para colorir os dias de folia. Durante o desfile do Bloco da Ema, o que se vê de longe é um aglomerado de pontinhos coloridos saltitando no mesmo tom. Crianças, jovens e idosos unidos num mesmo denominador comum: a festa. Dizer isso não implica afirmar que o carnaval provoca o milagre da homogeneização, em que diferenças sociais são dissolvidas sob a benção das serpentinas, nem tampouco elevar o carnaval à condição de afirmativo do moribundo ufanismo brasileiro. A contemplação da cena é o lembrete de que as culturas conversam, discutem e se multiplicam, criando formas híbridas de si mesmas.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No tradicional trajeto do Bloco da Ema, que passeia entre os pontos turísticos de Piracicaba, como a Rua do Porto e o Largo dos Pescadores, muitas pessoas se deixam contaminar pela alegria, deixando confuso quem tentar descobrir o que é bloco e o que é público. Como que lembrando silenciosamente a cantiga de Lia de Itamaracá, ilustre cirandeira pernambucana, o Bloco funciona por pressupostos de companheirismo: “essa ciranda não é minha só/ ela é todos nós/ela é de todos nós”. A Ema, simpática e dançante, responde com acenos aos que espiam nas janelas das ruas por onde passa; alguns deles, ela sabe, nunca serão cativados.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No mesmo fevereiro, milhões de pessoas se acotovelam para contemplar a festa do Galo da Madrugada, em Pernambuco. Todo sábado de carnaval, lá está ele, imponente, a atrair atenções exclusivas. Em 2009, o Galo da Madrugada mobilizou mais de 2 milhões de pessoas no carnaval pernambucano. Considerado o maior do mundo pelo Guiness Book, o Galo da Madrugada deixaria qualquer ema envergonhada, mas a exemplo de seu garboso hino, a Ema, essa com letra maiúscula, “também é de briga” e “está na rua, saudando o carnaval”. Enquanto isso, numa São Paulo de tecnologias globalizantes e apressadas, pouco propícia para regionalismos saudosos, Tony continua a conduzir seu Bloco, imerso em sua Recife de festim. &lt;/p&gt;

&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O fogo e outras interrogações&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;



   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É julho e o frio se instala soberano pela cidade de Piracicaba. Prova disso é a neblina que esbranquiça o caminho até a casa do entrevistado. No calendário, sete meses separam esse mês frio da quentura acolhedora de fevereiro e suas festividades carnavalescas. No ateliê de Tony Azevedo, no entanto, não existe calendário: o carnaval fica espalhado ali pelo ano inteiro.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É lá que Tony vive e trabalha. Mora com a mulher, Camila Daniele dos Santos, fotógrafa, artista plástica e “parceira, em todos os sentidos”. Desde que ele deixou Pernambuco, são elas – Camila e casa – que acomodam sua paixão pela arte. Pela sala, uma bagunça muito organizada de instrumentos, telas, cartazes e fotografias, que poderia contar sozinha toda a história da cultura pernambucana.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando questionado sobre a formação do Bloco da Ema, o olhar de Tony fica embaralhado. Firme nos tais pressupostos de companheirismo, ele responde: “O que nós temos são colaboradores, pessoas que se identificaram com a idéia e não deixam ela morrer ”. Só então, como que encontrando a resposta exata para a questão, Tony encerra: “é tudo uma energia que circula”.
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Por isso é que o Bloco da Ema é apenas uma ponta do fio que liga a cultura pernambucana a de Piracicaba. O Grupo Erê e o Porto Maracatu, ambos grupos de música nordestina, são ramificações do Bloco e, como ele, querem manter vivo o folclore do Nordeste que o tempo ou a malvada geografia ameaçam extinguir.&lt;br /&gt;
Assim como o de Tony, o olhar de Camila também se embaralha quando tenta explicar o que é a tal “energia que circula”. Camila faz a curadoria das exposições de Tony, fotografa as apresentações do Bloco da Ema, pinta, costura estandartes e ajuda a confeccionar os bonecos. Mas, ainda assim, responde, humilde: “acho que tudo aconteceu mesmo pela vontade que o Tony transmite, de querer fazer com que dê certo.”
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Experimental que é, o Bloco da Ema precisa ser vivido para ser compreendido. O desfecho da questão, no entanto, ficou escondido em outra declamação de Camila: “Talvez nem mesmo aos que conhecem o trabalho de perto seja dado o vislumbre de uma resposta aceitável, já que ele mesmo não se dá ao trabalho de se explicar”. Dizem que para entender o que é o fogo, há que se entrar na chama e se misturar com ele.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É exatamente a mistura que fascina Tony. Tanto na música, quanto na arte, tudo o que é passível de transformação vira massa de modelar nas mãos do pernambucano. Mas ele aconselha: “é preciso saber colocar a inspiração no material adequado”. Tony é um homem atento a contenções, sabe que até mesmo o desperdício de criatividade pode prejudicar o equilíbrio do mundo.&lt;br /&gt;
   &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em tempos pouco afeitos a ilustres anônimos, Tony finca o pé no que faz, estendendo o olhar para o futuro. Colocando-se inteiro em tudo o que faz, cuida do Bloco da Ema com um carinho aparente: a cada apresentação, é como se o carregasse no colo. Com orgulho de pai, revela, quase segredando, as idéias do Bloco para o próximo fevereiro: “um circo e uma Ema gigante, de 10 metros”. Vai ver que o poeta Maiakovski estava certo ao dizer que “cada um, ao nascer, traz sua dose de amor”.&lt;br /&gt;




&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5957649038798018757?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5957649038798018757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5957649038798018757' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5957649038798018757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5957649038798018757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/10/reportagem.html' title='Reportagem - A energia que circula'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5385013484396306794</id><published>2009-08-10T18:21:00.005-03:00</published><updated>2009-08-10T18:29:57.542-03:00</updated><title type='text'>Sobre perfeições e laranjas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SoCQJFJrISI/AAAAAAAAAQ4/1L9sT9elSEI/s1600-h/Picture+4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 226px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SoCQJFJrISI/AAAAAAAAAQ4/1L9sT9elSEI/s320/Picture+4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368449241501606178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          “Vai ficar me olhando por quanto tempo? Que aí eu posso calcular quanto vou cobrar” – disse-me a Rita, faceira, na primeira vez em que eu a vi. Os olhos eram de um verde amendoado levemente acinzentado que eu nunca tinha visto; eram grandes e pareciam interessados em tudo, porque arregalavam ao limite, sem nenhum esforço; mas não olhavam para mim, olhavam para a mesa 17 do boteco Santa Luiza, esquina de assombros de boemia desregrada que não costumava receber tão belas criaturas. Ela disse aquilo e fez um movimento brusco para o lado, que chacoalhou o ar ao redor e me jogou um pouco do cheiro de banho que ela tinha. Hesitei por dois minutos de agonia que me subtraíram dois séculos e respondi, firme, à sua pergunta: “45 minutos só, pode ser?” – esbocei aquele sorriso de vender creme dental e mudei o chiclete de lado, fingindo descontração. Foram exatos três segundos e meio de uma expressão indefinida até que ela, rendida, sorrisse também.
         A redenção abriu o caminho em que estou até hoje. Rita e eu vivemos há 25 anos naquilo que, se não for amor, não sei do que posso chamar. É certo que meu bigode já não me cai bem em conjunto com a calça xadrez. E nem o meu cabelo tem o desprendimento necessário para se deixar cair aos ombros. Já não cabe aquela encenação quase shakespereana em que nos lançávamos para fingir desinteresse, sempre que havia muito dele. Sob outros e estranhamente inabaláveis alicerces é que se sustenta a nossa relação. Sinto-me acastelado num amontoado de nuvens brancas e plácidas, onde tudo é segurança e desconcertante perfeição.
        Agora que os olhos de Rita, vencidos pela passagem do tempo, já não parecem tão grandes, nem tão esverdeadamente amendoados, eu poderia fazer disso belas razões para não querer mais essa vida; criar válvulas de escape mentais para fugir dessa monotonia disfarçada de amor sereno e dizer que estraguei anos de minha vida, que eu quis morrer, que tive meu maior amor, por uma mulher que não me agradava, que não fazia o meu gênero! Mas nem ao menos argumentos convincentes e suficientemente negativos eu tenho para querer fugir. “O mal dos aviões é que não se pode descer a toda hora para comprar laranjas”, eu me consolo, lembrando Mario Quintana, enquanto saio momentaneamente de meu castelo para comprar laranjas.

&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;* conto escrito para o concurso Encaixe, da &lt;a href="http://revistapiaui.com.br/"&gt;Revista Piauí&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;

&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;* ilustração por &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 102, 102);font-size:130%;" &gt;&lt;a style="font-family: trebuchet ms;" href="http://flickr.com/photo/eduardorecife"&gt;Eduardo Recife&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5385013484396306794?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5385013484396306794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5385013484396306794' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5385013484396306794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5385013484396306794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/08/sobre-perfeicoes-e-laranjas.html' title='Sobre perfeições e laranjas'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SoCQJFJrISI/AAAAAAAAAQ4/1L9sT9elSEI/s72-c/Picture+4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5186239392639976404</id><published>2009-07-23T21:56:00.008-03:00</published><updated>2009-07-23T23:32:40.882-03:00</updated><title type='text'>O menino-suéter: uma história para ser levada a sério com a mais fina das ironias</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Revision"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="34" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="List Paragraph"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="29" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="30" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 1"&gt; 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Os meninos brincavam tranqüilos num pequeno vilarejo de West Virginia, enquanto seus pais trabalhavam para que leite novo pudesse substituir o que já azedava na geladeira. Matt tinha sete anos, disposição de cinco, e naquela tarde distraía-se com os brinquedos de madeira confeccionados pelo avô, que adorava entreter a molecada. Muitos foram os avisos de sua mãe para que ele não ultrapassasse a cerca que separava a fazenda da estrada de asfalto, mas Matt, investido de toda sua astúcia pueril, seguiu em frente cavalgando na madeira em forma de cavalo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foram dois milésimos de segundo de implacável agonia que marcaram aqueles instantes da vida de Matt. O caminhão seguiu impedioso seu caminho e acertou o menino. Matt era só poeira,fagulhas e destroços: migalhas de um garoto feliz cujo resto era apenas um suéter verde-oliva. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div face="georgia" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas o acidente arrancou somente os membros de Matt, nunca sua vivacidade. Não havia somente fios naquela silhueta juvenil: por trás daquelas fibras e de toda aquela lã, ainda batia um coração. O mundo, porém, não estava pronto para o novo Matt. Na escola, todos o olhavam como se a malha caminhasse sozinha, ignorando a presença ou os sentimentos do incipiente rapaz. Os vizinhos já não o cumprimentavam mais; os colegas deixaram de convidá-lo para as velhas artimanhas de rua; até mesmo suas inocentes paqueras passaram a se afastar, alegando que ele andava esquisito e cheirava a poeira; Matt passou a viver sozinho, chacoalhando-se pelas ruas e se divertindo como podia – como nos dias de chuva, quando as gotas o encharcavam todo e ele podia se torcer, espirrando água para todo lado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div face="georgia" style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNoSpacing"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os pais, apesar do pouco dinheiro e do escasso tempo livre do trabalho, eram só gentilezas: substituíram o shampoo neutro pelo amaciante mais suave, aroma de flores do campo; deixavam Matt secar ao sol por um tempo razoável, sempre preocupados com o perigo de o filho encolher; a qualquer sinal de machucados, linha e agulha erram arrebatadas às pressas do kit de emergência recém-providenciado da mãe. Matt, apesar do que a sua etiqueta indicava, não era muito resistente. O ar seco impregnava poeira em seus poros viscosos, provocando acessos de alergia, ao passo que o clima úmido o gripava facilmente, além de desbotar suas cores, ameaçando anemias inconvenientes. O pai, marinheiro de primeira viagem de filhos feitos de lã, já sacava o ferro de passar roupas ao mais ínfimo vestígio de resfriado, fazendo compressas quentes e massageando longamente o corpo macio do filho, resultando em noites e noites de febres intermináveis. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas o garoto nem se importava: vivia saltitando e praticando molecagens – como na vez em que se escondeu na gaveta enquanto a mãe enlouquecia à sua procura – desse dia, nunca mais vai esquecer: “&lt;i style=""&gt;três horas pendurado no varal, na sombra, para pensar no que fez&lt;/i&gt;”. Matt não gostava do varal, e prendedores de roupa lhe causavam arrepios.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;                     &lt;span style="line-height: 115%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;Apesar do comportamento temperamental, era uma criança muito doce. Inclinada a demonstrações contínuas de afeto, enrolava-se como um cachecol nas pessoas que abraçava. Ele era um misto de ternura, &lt;i style=""&gt;aloe vera&lt;/i&gt; e fibras 100% algodão: um menino adorável, que logo passou a gostar de sua nova condição. Nos dias de muito frio, Matt infla o peito fibroso e sai, confiante, sem maiores preocupações, enquanto os outros estremecem os dentes no sereno. Gosta especialmente dos dias de ventania, quando as roupas do varal se agitam e parecem acenos. Em seus rabiscos, desenha a família toda soltando pipa no quintal em aprazíveis manhãs de outono, e tudo e todos são feitos como ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5186239392639976404?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5186239392639976404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5186239392639976404' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5186239392639976404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5186239392639976404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/07/o-menino-sueter-uma-historia-para-ser.html' title='O menino-suéter: uma história para ser levada a sério com a mais fina das ironias'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-7618838493136101490</id><published>2009-06-14T16:37:00.009-03:00</published><updated>2009-06-14T17:49:52.132-03:00</updated><title type='text'>Estar debaixo de um edredon</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SjVh63OeDQI/AAAAAAAAAQo/Pe5QRlCX6wE/s1600-h/edredon.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 243px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347287796457278722" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SjVh63OeDQI/AAAAAAAAAQo/Pe5QRlCX6wE/s320/edredon.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SjVT4vAEjNI/AAAAAAAAAQg/AvSbmLHcxnI/s1600-h/Denis+Darzacq.jpg"&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Meu "capítulo imaginário" do livro "O primeiro gole da cerveja e outros minúsculos prazeres", de Philippe Delerm&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;

&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;         No momento exato em que nos embolotamos debaixo de um edredon, sabemos que nenhum outro lugar seria tão receptivo a nossa necessidade de calor: qualquer ambiente que não a cama, nesse único instante, torna-se inóspito. O primeiro ato é o de chacoalhar: avidamente nos esprememos em nós mesmos na busca da melhor posição, e quando a achamos, percebemos que ainda está frio. O edredon jogado sobre a cama não basta para que ela esqueça os momentos que passou sozinha, sob efeito dos ventos lancinantes que entravam impunes pela janela. Por isso, a cama demora a sensibilizar-se com o nosso pequeno drama, e leva um tempo até que saiba ler nas entrelinhas dos nossos lábios trêmulos a urgência de calor. Viramos, reviramos e esfregamos o corpo naquela superfície até então inabitada, até que a temperatura se entregue, desarmada, ao poder do atrito: encontramos, enfim, algum alento. É aí que o edredon pode exibir, triunfal, toda a sua eficiência. Além disso, por ser versátil, ele se permite levar até o sofá e até mesmo conviver em harmonia com a pipoca que inevitavelmente cairá sobre ele. Edredons são oásis de calmaria e serenidade que se opõem ao caos, ao frio, ao vento e às grandes tempestades: tudo isso se anula debaixo de um edredon, e todas as coisas adquirem de repente uma calma inexplicável. Estar debaixo de um edredon é contagiante, banaliza suficientemente a vida para que estar ali se revista de uma importância que não conhecerão nem mesmo as coisas mais importantes. Estar ali é simples, como deve ser tudo aquilo que insiste em se sujar de complexidade. Diferente dos cobertores e mantas, ele é conciso, objetivo, sensato. Seu poder não depende nem de pêlos, nem de franjas: o edredon é apenas um amontoado de náilon e algodão recheado de algum volume espumoso e acolchoado no intuito único de consolar um corpo gelado. Não provoca espirros, alergias, coceiras ou rinite aguda: apenas conforto. É, como a música, “calor que provoca arrepio”.Mas, inexplicavelmente, não é nesse espaço de doçura candente que as pessoas passam o maior tempo. Bares, restaurantes, botecos e outros impiedosos ambientes ao ar livre descaradamente roubam a presença das pessoas, apenas porque é nesses meios que se exerce a sociabilidade. O edredon, porém, sabe de seu valor,e apenas espera enquanto aquele que o renegou está em qualquer lugar batendo os dentes, esfregando as mãos e soprando nelas pequenos jatos de ar quente para aliviar o frio, dando pulinhos de agonia gélida enquanto procura as chaves do portão de casa. Sempre muito solícito, ele recebe com gentileza em seus braços o filho pródigo: mais uma vez se inicia o movimento pela misericórdia da cama fria, enquanto o edredon jaz tranqüilo sobre aquele corpo desamparado. A possibilidade de estar debaixo de um edredon é como um cais a que se pode continuamente retornar: é sempre nele que ancoramos nossos corpos naqueles fugazes instantes em que só um abraço quente pode resolver nossas pequenas angústias. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/people/krishhtine/"&gt;kristine may&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-7618838493136101490?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/7618838493136101490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=7618838493136101490' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/7618838493136101490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/7618838493136101490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/06/estar-debaixo-de-um-edredon.html' title='Estar debaixo de um edredon'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SjVh63OeDQI/AAAAAAAAAQo/Pe5QRlCX6wE/s72-c/edredon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-1242315391679570136</id><published>2009-06-01T12:48:00.004-03:00</published><updated>2009-07-23T22:21:20.681-03:00</updated><title type='text'>da série "Pormenores urbanos".</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          Murais sempre me surpreendem, ainda que só olhe para eles como quem quer descansar os olhos da função maçante de olhar apenas para frente: a velha tirania do “o&lt;span style="font-style: italic;"&gt;lhe para frente de cabeça erguida&lt;/span&gt;”. Olho para o lado apenas, e encontro um mundo de possibilidades a me tentarem. Um mural, qualquer que seja, é uma grande via de sedução com conotação quase sexual. Diferentes papéis, fontes e cores se estapeiam por um minuto do olhar dos transeuntes, numa luta que, bem sabemos, só será ganha quando alguém se render aos encantos de algum aviso e parar para analisá-lo longamente. Os cartazes grifados a cores gritantes, os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post-it&lt;/span&gt; desperdiçados à exaustão, a disputa muda pelo mais atrativo comunicado, pelo canto superior esquerdo, pela cola invencível ou por uma taxinha minimamente eficaz. Os murais são dóceis, aceitam qualquer coisa que se queira colocar. O pedido misericordioso de uma mãe que perdeu o filho, um aviso de liquidação de móveis velhos, a mudança de data do próximo encontro dos Alcoólicos Anônimos, profecias sobre a volta de Jesus Cristo e até mesmo o aviso de que, cordialmente e em letras garrafais, “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;troca-se um fogão velho por uma bola de capotão&lt;/span&gt;” (&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;mural na moradia da Unicamp, 2006&lt;/span&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-1242315391679570136?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/1242315391679570136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=1242315391679570136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1242315391679570136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1242315391679570136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/06/da-serie-pormenores-urbanos.html' title='da série &quot;Pormenores urbanos&quot;.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5925847287516102434</id><published>2009-04-09T22:52:00.011-03:00</published><updated>2009-04-09T23:15:09.307-03:00</updated><title type='text'>Metades</title><content type='html'>&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-family:Webdings;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Webdings;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nascida em 1988, numa daquelas manhãs de abril em que tudo parece quieto demais, era uma menina feliz. Acostumada desde cedo à calmaria da cidade onde nasceu, sabia que o mundo era maior. Era inclinada às pessoas, muitas delas, mas não todas – tinha especial apreço pela tia Dirce, uma agradável mistura de cabelos brancos e bondade que tomava conta dela em alguns sábados de festa de seus pais, ainda que não houvesse muito do que tomar conta. Sempre fora quieta, pelo menos nessas circunstâncias, sem a mãe por perto para frear sua euforia. Nos outros momentos, viva pendurada em árvores, deslizando em patins e correndo impunemente entre os meninos da rua. Tinha medo da Rifocina à que a mãe a submetia depois de ralar os joelhos no asfalto quente e, em hipótese alguma, enfrentava o escuro.
Ainda que caçula de três filhos, não conseguia atrair as adulações de seus pais, sempre frustrando suas sessões de choro ininterrupto em longas tardes de castigo no quarto. Os pais, muito cuidadosos, espiavam vez ou outra para checar o cumprimento da penitência, mas que tal atitude era só pretexto para levar-lhe um copo de leite com chocolate batido, isso ela já sabia. Criada em família de comercial de margarina, desacostumou-se às asperezas da vida. Como adivinharia Lya Luft anos mais tarde, não sabia se livrar do monstro metade infantil metade adulto que nos faz achar absurdo que pessoas e paixões morram. Assim, amargou num choro sofrido e desacreditado a morte da única avó, Antonia. A maturidade só veio depois.
Teimou em escrever a partir do dia em que ganhou um concurso de redação do colégio por duas vezes seguidas e pôde comprar um patinete. Absurdo dos absurdos, de ex-aspirante a astronauta, tornou-se potencial jornalista. Iniciou suas leituras por teimosia, por não saber querer outra coisa. Espantava-se com a complexidade do que não podia entender, mas não desistia sem tentar, e deve a J.D. Salinger os primeiros palavrões que aprendeu – e que logo aplicaria sem nenhum pudor.
Nasceu no interior de São Paulo, numa cidade que ainda vivia intensamente as serestas regadas a sambas nostálgicos, comia pipoca na praça e ia ao zoológico rir dos macacos aos domingos: uma cidade infanto-juvenil, que não conhecia a malícia. Mas, inevitavelmente, cresceram: ela e a cidade. Muitos meses de abril se passaram, o Sol subiu e desceu muitas vezes, as vontades guinaram revoltas na direção adulta – ainda que o medo da Rifocina continuasse ao seu lado – para que ela se tornasse o que é. E é, em linhas gerais, uma ariana fervorosa e verborrágica inconseqüente, feita inteiramente de sonhos e medos.
De menina ossuda e desconjuntada para a atual estrutura longilínea, volúvel e inquieta que conhecemos hoje, passou num susto. Hoje, sorri com todos os dentes sempre que pode, ainda que se entregue, destemida, às mais apavorantes crises existenciais. Inocente incurável, ainda que sutilmente apreensiva, vive longe da cidade que a viu crescer, dos pais, irmãos e cachorros, talvez pelo desejo de liberdade ou pela necessidade de lidar com o medo do mundo (depois de um tempo, já não se sabe mais).
Sempre mergulhada até as orelhas no presente, vive em descompasso entre o que é e o que ainda poderá ser. Com apenas 20 anos, só por capricho ou obstinação, periga chegar até os 115, só para ver no que vai dar. Possivelmente, em sua lápide, se houver uma, o lembrete sutil: “&lt;em&gt;aqui jaz Renata Penzani: atordoada com a gravidade da vida, morreu de tanto viver&lt;/em&gt;”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5925847287516102434?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5925847287516102434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5925847287516102434' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5925847287516102434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5925847287516102434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/04/metades.html' title='Metades'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5831712761797779615</id><published>2009-02-26T21:14:00.015-03:00</published><updated>2009-03-01T10:55:44.415-03:00</updated><title type='text'>Felício</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SadTllmGwtI/AAAAAAAAAP4/uPiXt_W8SKY/s1600-h/lecreuset_vintage_4S.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307302591091622610" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 213px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SadTllmGwtI/AAAAAAAAAP4/uPiXt_W8SKY/s320/lecreuset_vintage_4S.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Como a rua pode ser vazia quando não carrega amor”,&lt;/em&gt; pensava a doce Lena, carregando uma sacola, as chaves de casa e alguns pensamentos sobre como já havia movimentado aquela mesma rua quando era menina. &lt;em&gt;“Bobagem!”,&lt;/em&gt; despistava a tristeza. Há anos ela repete o mesmo ritual. Todas as manhãs, ela vai até o mercado, e rodopia entre as filas de prateleiras e procura para o marido algo fresco e algo doce, nem sempre nessa mesma ordem. Felício, o marido, só um tanto mais velho do que ela, já não podia convencer as pernas e o corpo todo de que sua curiosidade pelo mundo ainda persistia, e ficava na sala, olhando para a tevê, mastigando qualquer coisa e apertando a bolinha da fisioterapia, entre remédios para a pressão e carinhos do gato. Não tinha doença nenhuma, apenas velhice e um pouco de preguiça.

Lena entrou, pendurou as chaves na parede e foi logo preparar o queijo com goiabada para o marido. Da cozinha, ecoavam seus berros - &lt;em&gt;Véio, cafezim?&lt;/em&gt; – o gato aparecia, ligeiro, bisbilhotando os cheiros que vinham de sua sacola – &lt;em&gt;Vem ver, Leninha, acho que o gato pegou alguma coisa, ô, gato endiabrado&lt;/em&gt;. E a vida se passava morna naquela manhã, entre conversas triviais e sussurros do passado na cabeça de Lena.

Os talheres tilintavam na mesa do café: o queijo, a goiabada, o café sem açúcar, o pão de leite com geléia de goiaba, e o gato procurando migalhas do banquete. Terminaram e foram para o quarto – haviam criado o hábito de um café reforçado para poder dispensar o almoço, assim antecipavam a pestana e as palavras cruzadas. Felício estava sentado, apoiado em dois travesseiros muito grandes, tentando ajeitá-los às curvas de suas costas. As palavras cruzadas no colo, a caneta caída no chão – &lt;em&gt;Sai pra lá, gato!&lt;/em&gt; – e Leninha ao lado, ensaiando as primeiras palavras. Lembra daquele dia, véio? Fugíamos para nos encontrar atrás da banca de jornais. Felício, sem parecer dar muita atenção, lutava contra sua coluna e contra o gato para pegar a caneta. Era tão fácil ser irresponsável! E você, com toda lábia, me levava para onde quisesse. Lena olhava para o velho, as mãos inábeis segurando a caneta sobre o livro, um amontoado de resquícios do tempo em que era, sim, fácil ser feliz.

Num minuto, ela narrou toda a juventude. O quarto enchia-se, nostálgico, do orgulho que ela sentia por carregar tanto bons momentos. Os bailinhos – &lt;em&gt;como éramos cafonas, meu velho&lt;/em&gt; - , os porres, os passeios pela rua de madrugada, a capacidade de esquecer do mundo ao redor sem nenhuma culpa. Falou, sem interrupções - nem mesmo do gato, que mastigava, satisfeitíssimo, um pedaço da tampa da caneta -, de todo aquele tempo em que as vontades dominavam as atitudes, espírito do tempo de sua juventude, contracultura repleta de doces transgressões – &lt;em&gt;ah, os meus vinte anos! A vida roubou de nós, véio.&lt;/em&gt; Leninha olhou para o lado, ainda sorrindo pelos pormenores que ia lembrando, e, num anticlímax desolador, ele dormia. Tinha os olhos muito juntos, e da boca soltava um fino fiapo de baba. Seu velho, ali, deitado, misto de passado adormecido e hipertricose auricular, ainda guardava a graça de tempos mais leves. Amava-o ainda. Levantou-se, num súbito de amor platônico. Afastou-se na ponta dos pés e, cuidando para não acordá-lo, &lt;a href="http://http//www.revistapiaui.com.br/edicao_29/artigo_895/II_Concurso_Literario.aspx"&gt;ela fechou a porta com vagar extremo e se afastou, furtiva, como quem abandona um doente que acaba de adormecer à meia-noite. &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5831712761797779615?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5831712761797779615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5831712761797779615' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5831712761797779615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5831712761797779615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/02/felicio.html' title='Felício'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SadTllmGwtI/AAAAAAAAAP4/uPiXt_W8SKY/s72-c/lecreuset_vintage_4S.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5999814921460997079</id><published>2009-02-12T00:06:00.008-02:00</published><updated>2009-12-06T22:22:21.881-02:00</updated><title type='text'>Rua do Carmo, nº 17.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;

O poeta Maiakóvski escreveu: “&lt;em&gt;em algum lugar do mundo, acho que no Brasil, existe um homem feliz&lt;/em&gt;”. Acho que o encontrei. Atende por Cabral, tem poucos dentes que escaparam de amarelecer, e tinha sono quando o conheci. Usava uma camiseta de tom indeciso entre o cinza e o bege claro, ocupava-se no conserto de um rádio velho e tinha duas rugas especificamente simpáticas no canto dos olhos. Entre os dedos, sossegava um cigarro, que cairia no próximo assovio de Cabral. A tal da felicidade, que ele tinha, poderia culpar muitas coisas. Um pouco da culpa fica, inevitavelmente, para Vivi, sua mulher: toda sorrisos e gentilezas, dessas que deixam o seu palavrão encabulado, e os seu grossos modos com vergonha de se mostrar. Outro tanto para o fato de que é dono de um dos pedacinhos mais interessantes da Bahia: “Cabral-Descobertas” - compra, vende, troca e encanta. Rua do Carmo, nº 17, Pelourinho, Salvador. O lugar, um pequeno beco que dá caminho a um mundo de quinquilharias e miudezas que poderiam ocupar todo o espaço existente, não fosse pela simpatia com que elas te conquistam. Um boneco Smurf, velho como a pólvora, me olhava com ternura, pendurado em um elástico na parede. Do outro lado, uma prateleira que poderia contar sozinha toda a história dos anos 80: brinquedos, fotografias, cartazes, câmeras, rádios, quadros: pequenos pedaços de história. O lugar todo era tomado de coisas; até para respirar, é melhor que se procure um espaço. Espingardas enferrujadas em posição de mira assustavam os mais incautos, ao que a música dos Mutantes devolvia a calmaria. “&lt;em&gt;Você precisa saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina”&lt;/em&gt;. Não me espantaria se encontrasse tudo isso por ali mesmo, incluindo a Carolina. A cada curiosidade, levantava-se uma forte onda de poeira e mofo, mas até isso, ali, eram só simpatia. Ali, repousava empoeirada toda a coleção de playmobills, enquanto dois meninos reviravam a caixa de fotografias em cima do balcão. Vivi não se importava, ria e contava como adorava a visita de estudantes. “Quem são esses?”, disse o menino apontando para uma das fotografias da caixa. “São pessoas desconhecidas, fotos que foram ficando, ficando, e hoje ninguém mais lembra de quem são”. “Macabro”, afirmou com uma certa ênfase, deixando a velha caixa em paz. E a música complementava o cenário. “&lt;em&gt;Vivemos na melhor cidade da América do Sul, da América do Sul”. "Lalarilalá"&lt;/em&gt;, cantarolavam alguns.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De volta a Maiakóvski, no fundo, o resto da culpa pela felicidade é, simplesmente, da Bahia. Não há como ser triste na Bahia. Em São Paulo talvez, Minas Gerais, quem sabe, mas não na Bahia. Ameaçando uma pontinha de descontentamento, mude-se: Aracaju com certeza receberia com mais delicadeza o seu penar. Cabral contava já os seus cinquenta-e-poucos anos, mas talvez pela convivência ininterrupta com as velharias, aparentava mais. Seus olhos pendiam para o lado, convergiam com o nariz e formavam uma imagem que lembrava a de um buldogue, desses boa-praça, rabinho sempre abanando. Com Vivi, o contrário: tinha, obviamente, mais idade, mas algo no seu jeito denunciava uma menina de rabo-de-cavalo saindo para o colégio. Tinha o rosto todo dobrado em marcas de expressão, mas isso não enrijecia sua feição, apenas nos fazia imaginar o que ela estava fazendo enquanto o tempo exercia sua função de passar. Adorável Vivi. Entre os dois, o denominador comum: sorriso de não economizar dentes, e uma habilidade de fazer-nos sentir em casa. “Venha, que eu te mostro o resto”, ouvíamos, sem nem reparar de quem vinha. E Cabral falava, mantendo a familiaridade no tom de voz. Falava aos que apareciam por ali, aos montes, como quem fala a um filho mais novo: uma preocupação sutil que alertava dos perigos do mundo, mas que não escondia a vontade de se juntar na aventura.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Havia, por ali, uma calmaria imune à bagunça dos visitantes, indiferente à poeira que levantava a todo instante e fazia tossir um ou outro, ao gato que passou e derrubou uma estátua. Algo no ar que nos lembrava de que já fomos – e, de alguma maneira, ali, ainda éramos – mais ingênuos. Vivi logo interrompeu o silêncio: “...mas vocês encontraram o que vieram procurar na Bahia?” – dizia aquilo carregando na voz tudo o que podia de afeição, e talvez o olhar por ele só, fosse já uma pergunta. Ela não falava em “procurar”, muito menos em “encontrar”, mas todos entendíamos e respondíamos, com surpresas expressões de contentamento, o que também poderia ser compreendido como um Sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5999814921460997079?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5999814921460997079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5999814921460997079' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5999814921460997079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5999814921460997079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/02/rua-do-carmo-n-17.html' title='Rua do Carmo, nº 17.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-8547900954401471164</id><published>2009-01-06T02:17:00.009-02:00</published><updated>2009-01-06T18:23:04.260-02:00</updated><title type='text'>Do latim: a estrangeira.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;      

A menina suja e despenteada estava parada entre a calçada e o portão da casa como se ambos já pertencessem a ela. Aparentemente vizinha da parede azul que chamou a sua atenção, ela queria convencer sua imaginação de que o que havia além do muro era bonito e interessante. Já estava ali há muito tempo. Não podiam saber os que acabavam de chegar no carro que ela devorava com os olhos, mas o enorme sorriso de satisfação ao ver alguém finalmente chegando foi quem a dedurou. Lambuzada de sorvete nas mãos e terra nos pés, exibia o sorriso honesto e desdentado a que se referiu Mario Quintana, mesmo que não fizesse uma vaga idéia de quem ele fosse. Velhinho, para ela, só seu avô, que certamente arrancava os cabelos à sua procura. Mal chegaram as pessoas por quem ela esperava e ela já partiu em busca de seu pequeno objetivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;    As crianças são cheias de pequenas metas, a serem cumpridas com o empenho de um navegador a procurar por novas terras. Uma volta no quarteirão calçando patins ganha conotação épica: as crianças constroem diariamente, com suas espadas, cavalos e armaduras de mentira, suas pequenas Ilíadas. Quando querem, trocam o cenário: onde estava a terra, aparece o céu, o cavalo vira tapete e a armadura, um chapéu pontudo com plumas coloridas, engraçado ou intimidante.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;A menina falava, sem parar para reparar no que estava dizendo. Sabia que fazia sentido na sua cabeça e não precisava pensar mais sobre isso. As palavras desobedientes pulavam da boca na maior das boas intenções, queriam inocentemente expressar toda a euforia que cabia naqueles aproximados um metro e nove centímetros de pura inocência. &lt;em&gt;"Bárbara, mas meus amigos me chamam de Barba".&lt;/em&gt; Ela se antecipava nas suas falas, sem muita articulação, comendo algumas sílabas, e recuperando-as com uma pausa e uma tomada de fôlego. Continuava, destemida, despreocupada, desembestada, a esbanjar seu léxico infantil. Os interlocutores, pobres adultos que nem se sabiam como tais, ouviam a tudo com admiração e certo espanto - como é que a infância de repente se tornou essa vontade de querer adiantar as coisas? - , respondendo como podiam às inúmeras interrogações que vinham de Barba e deles mesmos. &lt;em&gt;"Posso ver a piscina? Posso ver tudo? Posso?".&lt;/em&gt; Ela nem se importava em ser atendida ou não, queria apenas falar. Nem sequer esperava pela resposta: dizia alguma coisa e já ia andando, pequeninamente insolente, acelerada, à frente dos três interlocutores que não conseguiam acompanhá-la.
Sob uma chuva de especulações e curiosidades dos adultos, o corpinho de Barba saltitava pela casa, certamente lançando mão do plano de invasão que traçou mentalmente enquanto desenhava a rabiscos tortos a planta da casa. As justificativas sobre a impossibilidade de nadar na água cheia de bactérias da piscina ou as recomendações sobre avisar a mãe que estava ali passavam despercebidas. Só respondia a trivialidades como &lt;em&gt;"quem penteou o seu cabelo?"&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;"quantos anos você tem?".&lt;/em&gt; O ambiente desconhecido a ser desbravado era seu novo brinquedo.
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Acabou explorando o corredor, a escada, os arbustos, o cachorro e a água levemente esverdeada da piscina, embora não tenha visto de fato nenhuma dessas coisas. Seus olhos brilhavam como quem olha para um castelo e seus milhares de mistérios. Saiu cheia de si, ostentando o troféu invisível de mais um de seus pequenos combates. Mal reparou nas portas que levavam a novos espaços desconhecidos: estava fortemente convencida de aquilo era tudo. Despediu-se apressada, ocupando-se em apontar seu barquinho e remo para outra direção.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-8547900954401471164?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/8547900954401471164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=8547900954401471164' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/8547900954401471164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/8547900954401471164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2009/01/do-latim-estrangeira.html' title='Do latim: a estrangeira.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-823066988762538212</id><published>2008-12-18T01:34:00.013-02:00</published><updated>2009-06-10T00:33:53.382-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SUqGRIjzwcI/AAAAAAAAAM0/QicqVXEUGB4/s1600-h/blog.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 222px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5281181141958902210" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SUqGRIjzwcI/AAAAAAAAAM0/QicqVXEUGB4/s320/blog.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;











Eu cronico&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-size:100%;" &gt;Tu cronicas
Ele &lt;span style="font-size:180%;"&gt;crônica&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold;font-size:100%;" &gt;(III)&lt;/span&gt;

O chiclete passeava inquieto entre a língua e o céu da boca, enquanto ela imaginava o que se tornaria aquela noite. O céu acinzentado servindo de teto à avenida iluminada, suja e mal frequentada em que ela se sentia apenas mais uma. Por ali, Catarinas não havia muitas, quanto mais magras, frágeis e mortiças como ela – e logo ela voltava a se sentir especial. Não bastasse a triste constatação da labuta a cumprir, ainda chovia mansamente algumas gotas tímidas, na proporção de um espirro do céu. Impaciente, ela pisava violentamente o asfalto, que ficava marcado a cada alfinetada do seu salto fino; ela esmagava o chão como se soubesse que ele, como muitos que encontraria noite adentro, não se importaria com a sujeição. Aproximou-se da calçada roída de umidade o primeiro carro da noite enquanto a avenida ia se aquietando. Quanto? "&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Os homens se interessam por números por não saberem lidar com a abstração&lt;/span&gt;" - respondia, célebre, lançando mão de toda a sua habilidade vocabular, enquanto sucumbia aos olhares daquele que seria o primeiro cliente da noite. Quase sempre era ignorada em suas falas, que eram ofuscadas pela beleza do seu corpo bem-formado e pelo fato de que, naquele meio, palavras eram apenas números: preço, quantidade, horário, duração. Mesmo assim, fazia questão de exibir o que sabia, ostentando sua bagagem cultural como um troféu. Todo o conteúdo literário dos livros que ela devorava se soltavam como num cuspe: natural e involuntário. Passou da calçada para o carro com a rapidez de quem queria acabar logo com aquilo, mas com a elegância de um membro da nobreza. No caminho, saboreava seus pensamentos enquanto fingia não ouvir as asperezas que vinham do lado do motorista. Pensava em quantos livros poderiam ser seus depois de vencida aquela noite. Todos novinhos, capa dura, cheiro sedutor, edições raríssimas, vindas de muito longe só para satisfazer o que nela havia se tornado um vício. Já no quarto – um ambiente circunférico, com cortinas de veludo, todo revestido de espelhos e de um mau gosto sem igual – ela lamentava o fato de que certamente o idealizador daquele lugar nunca havia ouvido falar do romantismo contido na simplicidade de um cenário bucólico. Já estava sendo esmagada por movimentos bruscos e sem nenhuma criatividade, quando começou a pensar em como as pessoas poderiam achar paradoxal uma moça de fino trato, feito ela, dar-se a essas baixezas da vida; era a primeira vez que lhe ocorria tal pensamento, ela não se importava com as pessoas e seus achismos. Ela, uma prostituta – &lt;em&gt;demi mondeine&lt;/em&gt;, preferia – muito letrada, preenchia com livros o que lhe faltava de pudor.

Conhecia bem os altos preços de seus objetos de desejo, e também conhecia o pouco talento que tinha para se prestar a outro serviço. O fato é que já estava nessa vida quando experimentou os livros, passar a dedicá-la ao novo prazer descoberto não seria difícil. Quase se perdeu nos devaneios – oh!, exclamou assustada - às vezes, o fingimento era penoso. Trocou de expressão sem esforço, passando num segundo do tédio à excitação. Fingiu um ou dois gemidos amarelos e, já em pé, na janela, acendeu um cigarro. Tinha os cabelos arregalados e o olhar despenteado: estava uma bagunça, por dentro e por fora, mas se encostou à janela enquanto o homem retornava de seu quase-transe. Dava sempre esse tempo para o fechamento dos negócios, os cinco minutos que pareciam durar uma vida. Esboçou um sorriso mal feito e vestiu-se com a pressa de quem está sob ameaça. Contando as notas recebidas, ela descia a rua já sem precisar carregar aquele semblante triste de antes, concentrando seu pensamento: a mais nova tradução de Baudelaire, com a qual já flertava há algum tempo, poderia ser dela. Caminhando a passos largos, logo chegou onde queria. Entrou na livraria mais cara da cidade: recostada à esquina de um bairro aparentemente simples, a construção ostentava grande requinte arquitetônico; Catarina entrou por uma comprida porta de madeira, com penduricalhos de ouro velho, sem conseguir controlar o rosto corado e o coração acelerado. Correu para as prateleiras e namorou longamente aquela imensa quantidade de raridades. Num minuto, já somava em suas mãos o equivalente ao conquistado no quarto das cortinas de veludo e mau gosto sem igual, mas nem percebeu, estava extasiada. Após longas horas de flerte contínuo, deixou a livraria como quem deixa um amigo querido, carregando um pacote pesadíssimo cujo conteúdo incitava arrepios de curiosidade. Gostava principalmente de poemas, e orgulhava-se por ter sido iniciada no gênero por um brasileiro dotado de ares de bom moço: Manuel Bandeira; conheceu-o numa feira de livros no Rio de Janeiro, logo após rodear a estante dos estrangeiros e perceber que havia enjoado da grande maioria; era como se não falasse a língua daqueles que se comunicavam com expressões. Somente depois de instituída sua intimidade com o gênero, é que aprendeu a apreciá-los. &lt;em&gt;Bom vivant,&lt;/em&gt; era o que ela se sentia, mesmo sabendo que não era. Voltou para casa. Novo cigarro, longo banho, cama. Encostou a cabeça no travesseiro, que parecia não dar conta daquele peso que sentia, e abriu as páginas de uma de suas aquisições. Uma, duas, seis, vinte, cinquenta-e-sete: as páginas viravam sem que o tempo tivesse importância. O enredo, os personagens, a velocidade dos acontecimentos: tudo a envolvia completamente.

E assim se passava. Prostituía-se pelos livros até que, de uma maneira muito estranha, os livros passaram a servir à prostituição. Com tempo, vida e obrigação passaram a falar uma só língua. Não conseguiria frear a segunda, porque dela dependia a primeira. Os livros vinham do dinheiro fácil das noites, deles vinham as muitas histórias devoradas à exaustão, delas, o desejo de sacudir o mundo, imitar a ficção, criar enredos e tornar-se ela própria personagem e, disto tudo, a certeza de que o outro dia poderia ser o que ela quisesse (com isso, ela lembrava da velha história de que cada dia é como uma pipoca quentinha em que o sal é por conta). Era mais ou menos um movimento de contradição tentando se fazer reciprocidade. Isso porque Catarina buscava na vida comum as fantasias e os acontecimentos extraordinários que via na Literatura - o trabalho, naturalmente, passou a pesar o peso desse objetivo. Algumas noites, quase que por delírio, ela desejava, olhos brilhando, ser acometida por um grande drama: um roubo, alguma violência, quem sabe humilhações, só para sentir o gosto da ação, o sangue fervendo nas veias, a vida correndo para alcançar a arte, a verdade querendo ser mentira. Depois sentia-se mal, primeiramente por voltar para casa sem nenhuma grande novidade - nada além da sempre mesma carência dos que pagavam por atenção, da calvície disfarçada com penteados deprimentes, do cheiro do chiclete de menta que amenizava o mau hálito dos que a procuravam – e depois, pela constatação de sua paranóia.

Ela queria na vida um pouco mais de ficção e, na ficção, razoáveis porções de realidade. Mas Catarina continuava a menina que se sentia mais uma entre várias na Avenidade suja e mal iluminada. A magra, frágil e mortiça moça não exigia demais, apenas sabia que na vida faltava a urgência da ficção, enquanto esta ia carecendo de realidade. Vivia no limiar entre as duas, não podendo se privar de nenhuma, mas torcendo o tempo todo para que elas se encontrassem num ponto qualquer. “&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Não há literatura que durma a onça escura”&lt;/span&gt;, ela sorriu inesperadamente, lembrando Drummond, enquanto adormecia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-823066988762538212?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/823066988762538212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=823066988762538212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/823066988762538212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/823066988762538212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/12/o-chiclete-passeava-inquieto-entre.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SUqGRIjzwcI/AAAAAAAAAM0/QicqVXEUGB4/s72-c/blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-1693352499832463419</id><published>2008-10-13T00:13:00.011-03:00</published><updated>2009-01-06T02:04:43.610-02:00</updated><title type='text'>Voltando a passar pelo coração</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 51, 102);"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51); font-style: italic;"&gt;"Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."&lt;/span&gt;
&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;
A pequena edição de capa amarela só revela o seu peso quando o carregamos no colo. Do &lt;em&gt;Livro dos Abraços&lt;/em&gt;, de Eduardo Galeano despenca um mundo de possiblidades que só esperam que abramos os olhos. É um livro de restrições, de liberdades; de sonhos desperdiçados; do cotidiano e do extraordinário; de política e de amor; de tormentos e ternuras; de coisas tão pequenas que se perdem num abraço, mas que, ao mesmo tempo, ultrapassam a largura que os braços podem forjar.
Eduardo Galeano, primeiro cidadão ilustre do Mercosul, nasceu em Montevidéu, em 1940. Mais que o Galeano conhecido por qualquer um que já tenha ouvido falar de uma América Latina de Veias Abertas ou que colecione citações críticas ao imperialismo, ele é o Galeano das palavras que andam, do mundo que vaga, dos mais de 30 títulos traduzidos em mais de 20 línguas, dos olhos azuis e sorriso largo que já completam 68 anos. Mas, de tudo, o que me fica é o impacto do livro de abraços, que, para mim, mais pareceu um aperto.
A estúpida ingenuidade das primeiras linhas vai traçando um caminho para o fantástico, que passa pelo absurdo, pelo protesto e pelo prosaico. Galeano passou sua vida sendo arremessado pelos quatro cantos da América Latina. Viveu o exílio dos anos 70 e sentiu várias fomes e dores que não somente as suas próprias.
O &lt;em&gt;Livro dos Abraços&lt;/em&gt;, como outras obras do autor, nasce do resultado de suas andanças. Uma singela tentativa de congelar a memória. Pequenos momentos, aqueles que sacodem a alma da gente sem a grandiloqüência dos heroísmos de gelo, mas com a grandeza da vida.
O começo, por sua descontextualização, incita uma certa inquietação, dessas que vêm só para depositar uma interrogação irritante no meio da testa e depois ir embora. Não sabemos ao certo o que Galeano quer mostrar, quem são as personagens, o porquê de estarem ali, mas sabemos que deve valer o risco. De um pequeno conto entitulado &lt;em&gt;O mundo&lt;/em&gt;, sai a primeira síntese dos pensamentos absurdos do autor: "&lt;em&gt;o mundo é isso, um montão de gente, um mar de fogueirinhas"&lt;/em&gt;. Com a calma que nos é requisitada, continuamos a girar os olhos pelas páginas que seguem e, aos poucos, vão despontando cenários, personagens, criaturas míticas, fábulas: tudo aquilo que, até o final da última página, já estaremos pegando pela mão e chamando pelo nome.
De súbitas guerras e relatos doloridos de tortura, a possibilidade de botar reparo nas pequenas coisas, de questionar o papel da arte, desbravar fronteiras não apenas geográficas do mapa da América, mas da moral humana. As mais feias imagens vistas da ótica mais pura que Galeano conseguiu encontrar. A pureza vista pelo ângulo mais frio. E o leitor já submerso num universo único de brincadeira e aguda seriedade.
O autor mimetiza suas próprias palavras para construir uma narrativa repetitiva, mas nunca cansativa. Escreve pequenos contos que acabam numa página; outros maiores que logo ganham duas ou três, em que as reticências parecem aparecer para resguardar a melhor parte. O &lt;em&gt;Livro dos Abraços&lt;/em&gt; é feito de histórias estilhaçadas que encontram a parte que lhes falta e a cola que as une no meio do caminho. &lt;em&gt;A noite&lt;/em&gt;, por exemplo, é uma história ridiculamente pequena que tem suas quatro partes divididas por apenas uma página. Todas falam da mesma mulher, do mesmo cenário, da mesma angústia e mesma alegria; é uma história completa, mas se não fosse fragmentada por essa página, não guardariam o mesmo grau de mistério e significação.
É o livro da minúcia. Um trabalho artesanal de colagem de histórias que nos distrai a ponto de que, num momento que nunca saberemos ao certo, descobrimos que os personagens do começo são os mesmos do final do livro. Que a mulher que ele tanto destaca é, na verdade, a Helena de sempre, sua mulher. E assim, num livro que nem é biografia, em contos que nem são ficção, acabamos sabendo de Galeano como pessoa que casou, teve filhos, fome de abraços, saudade da pátria, infarto do miocárdio e simpatia por Portinari. Galeano conduz uma lanterna que observa o movimento tranqüilo da narrativa. Observa as palavras que se dispersam para voltar a se esbarrarem e, finalmente, se abraçarem.
Parece banal se pensarmos pequeno, mas como todo silêncio excessivo é estupidez, Galeano dá voz a todas às histórias que encontra por aí abandonadas para compor um livro de agradáveis relatos que tentam, a partir da despretensão, resgatar a grandeza das pequenices da vida.
O &lt;em&gt;Livro dos Abraços&lt;/em&gt; nunca se esgota; é uma leitura de paciência e de sempre, que nunca encontra razão para parar. A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições, diria o autor. Ou não. Apenas acenderia um cigarro e seguiria rumo à percepção de outras pequenas sutilezas.
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;texto publicado na&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.revistawave.com/"&gt;Revista Wave &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-1693352499832463419?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/1693352499832463419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=1693352499832463419' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1693352499832463419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1693352499832463419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/10/voltando-passar-pelo-corao.html' title='Voltando a passar pelo coração'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-1505656536397913832</id><published>2008-09-30T15:04:00.009-03:00</published><updated>2008-10-07T12:49:38.703-03:00</updated><title type='text'>Quanto pesa uma interrogação</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Mas naquele dia ela pensava na leveza. Pura e simples &lt;em&gt;joie de vivre&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Em como as pequenas pedras que emolduravam o mar eram metodicamente pesadas para contrastarem com a leveza da água quando nela fazem aquele barulhinho bom de escutar. As pessoas que dividiam aquele espaço com ela, ocupadas em viver aquele sol e aquele verão fora de época, não compartilhavam dos mesmos pensamentos, e o que acontecia era que toda aquela angústia cabia perfeitamente em todo aquele espaço, ainda que a pequenice de sua cabeça não lhe permitisse guardar muito mais que alguns tormentos. Deitada na areia quente, não conseguia dormir. As pessoas continuavam a rir e conversar, a escandalizar e a rir, a fumar e a rir, a se movimentar rindo, e a rir tanto, que pareciam chorar.Ela ignorava, queria dar vazão àquelas dúvidas, continuava a pensar na leveza. Não conseguia dormir. Os olhos fechados e a mente aberta. A boca se permitindo inundar daquele ar e de todo aquele mormaço; a preguiça que aquela calmaria proporcionava. Ela pensava em como o verão podia ser leve; as roupas, o tempo que se estende, as obrigações que ficam para depois da cerveja, que ficam para depois do almoço, que ficam para depois daquela noite mal dormida e pra depois daquele dia em que todo mundo sente sono. Enquanto grudava seu corpo na quentura da areia, pensava em tudo que existe como um ciclo; pensou tanto que, no final, o peso das pedras em frente ao mar deixou de importar, já fazia algum sentido. Mas, principalmente, ela própria se sentia diferente, um tanto mais aliviada e menos insignificante que no início daquele temporal sazonal de sensações. Apenas diferente: mais leve, afinal. A vida é feita para se morrer dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-1505656536397913832?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/1505656536397913832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=1505656536397913832' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1505656536397913832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1505656536397913832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/09/quanto-pesa-uma-interrogao.html' title='Quanto pesa uma interrogação'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-747844886300144217</id><published>2008-09-16T23:17:00.005-03:00</published><updated>2008-09-21T21:11:15.273-03:00</updated><title type='text'>Pra dançar diferente</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SNBtCSDalzI/AAAAAAAAAHM/Vq8zXe1GheM/s1600-h/Camelo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246813451859957554" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SNBtCSDalzI/AAAAAAAAAHM/Vq8zXe1GheM/s320/Camelo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
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Tudo o que se diga sobre o primeiro álbum solo de Marcelo Camelo são apenas devaneios e tentativas de definição dos quais o próprio disco quer se esquivar.
Em &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;Sou&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;,&lt;/em&gt; Camelo está sozinho, mas é impossível deixar de perceber toda a bagagem hermanística que traz nas costas. Na verdade, o que se percebia já há algum tempo era uma gradação do coletivo para o individual, culminando na transformação da banda em muitos e incríveis trabalhos-solo. Entre a despretensão e a simplicidade, a beleza.
O disco deixa o refinamento musical de lado para se entregar ao sossego das cordas, algo que Camelo deixava que se dispersasse nos Los Hermanos. O que não cabia lá, cabe aqui.
Passeando por cenários musicais completamente distintos, Marcelo se agarra ao melhor de cada estilo para modelar uma harmoniosa colagem que dispensa a mínima classificação. Hultmold, Dominguinhos, Mallu Magalhães e o piano suave de Clara Sverner pontuam a singularidade – e um tanto do estranhamento - de &lt;em&gt;Sou&lt;/em&gt;. Cabe o samba quase-frevo deliciosamente tropicalista de &lt;em&gt;Menina Bordada&lt;/em&gt;; a poesia musicada de &lt;em&gt;Téo e a Gaivota&lt;/em&gt;; a influência folk que incita as azucrinantes e inevitáveis palminhas duplas de Janta; o auge de pulsação que o álbum alcança de &lt;em&gt;Mais Tarde&lt;/em&gt;; a latinidade, o batuque e o maracatu em potencial de &lt;em&gt;Vida Doce&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;(!)&lt;/strong&gt;; os assovios mansos que compõem as frases sonoras de &lt;em&gt;Doce Solidão&lt;/em&gt; e versões instrumentais das canções mais dormentes do álbum, &lt;em&gt;Passeando&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Saudade&lt;/em&gt; – em que quase se desconfia que o disco realmente dormiu. Além da inocência de &lt;em&gt;Copacabana&lt;/em&gt; permitindo um carnaval fora de época e da releitura das já conhecidas &lt;em&gt;Liberdade&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Santa Chuva&lt;/em&gt;.
Mergulhamos na recorrência das palavras jogadas nas músicas, que se espalham incitando a certeza de que não estão onde estão por um acaso. Solidão, doçura, saudade. As palavras nos avisam do novo Camelo, que não deixa de ser o de sempre, por carregar a mesma calmaria da voz e por solicitar de quem ouve a mesma (gostosa) paciência requisitada em qualquer um dos discos dos Los Hermanos.
Por um lado, é a exibição completamente nua do estilo de Marcelo Camelo, que, como de costume, não aspira à adoração universal. Por outro lado, mais contextualizado, é uma espécie de anunciação de que algo acabou, &lt;strong&gt;mesmo&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Sou&lt;/em&gt; manda avisar que Marcelo encontrou o espaço para se esticar. O espaço que precisava para ser. Um canto para se reduzir a pés descalços, cabelo desarrumado e camiseta velha e deixar que os dedos suavemente seduzam o violão, sem roubar o espaço dos muitos instrumentos que constroem o disco e dos barulhinhos de fundo conservados das gravações originais. Em &lt;em&gt;Sou&lt;/em&gt;, as canções estão de pijamas, mas perfeitamente adequadas para sair e dançar.
O álbum tem mil rostos, que vão se mostrando calmamente a cada pormenor percebido, a cada aumentadinha no volume, a cada acesso de paciência. &lt;em&gt;Sou&lt;/em&gt; parece às vezes ter sido feito às pressas, ainda que com o maior sossego. Parecer ter sido entregue a mais minuciosa das mãos – prova disso é a brincadeira concretista de Rodrigo Linhares na arte da capa, que se reflete sem disfarce em todas as músicas – e ao mesmo tempo, não deixa de ter toda a espontaneidade. O clima é tanto de “&lt;em&gt;senta aqui, que hoje eu quero lhe falar&lt;/em&gt;” que o disco soa o tempo todo como uma brincadeira. Não por lhe faltar seriedade, mas pela suavidade com que Marcelo Camelo maneja as palavras: carinho para os ouvidos. Entre antíteses e trocadilhos sacanas que são melhores no som do que na letra, alguns lapsos de explicação: “&lt;em&gt;posso estar só, mas sou de todo mundo&lt;/em&gt;”. É tanta tranqüilidade que a coisa toda mais parece uma roda de violão no meio de um boteco qualquer que, sem perder o refinamento, responde sutilmente de onde, afinal, é que vem a calma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-747844886300144217?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/747844886300144217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=747844886300144217' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/747844886300144217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/747844886300144217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/09/tudo-o-que-se-diga-sobre-o-primeiro.html' title='Pra dançar diferente'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SNBtCSDalzI/AAAAAAAAAHM/Vq8zXe1GheM/s72-c/Camelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-1024813417058580458</id><published>2008-09-04T16:12:00.007-03:00</published><updated>2008-10-07T13:07:25.964-03:00</updated><title type='text'>Recordar: Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a pequena morte&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem, não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pequena morte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por encontrar-nos e acabando conosco nos principia. &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pequena morte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, dizem, mas grande, muito haverá de ser, se ao nos matar nos nasce."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a linguagem da arte&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Chinolope vendia jornais e engraxava sapatos em Havana. Para deixar de ser pobre, foi-se embora para Nova York. Lá, alguém deu de presente a ele uma máquina de fotografia. Chinolope nunca tinha segurado uma câmera nas mãos, mas disseram a ele que era fácil. &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você olha por aqui e aperta ali. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E ele começou a andar pelas ruas. Tinha andado pouco quando escutou tiros e se meteu num barbeiro e levantou a câmera e olhou por aqui e apertou ali. Na barbearia tinham baleado o gângster Joe Anastasia, que estava fazendo a barba, e aquela foi a primeira foto da vida profissional de Chinolope. Pagaram uma fortuna por ela. A foto era uma façanha. Chinolope tinha conseguido fotografar a morte. A morte estava ali: não no morto, nem no matador. A morte estava na cara do barbeiro que a viu."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a noite&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, pediria a ela que fosse embora, mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta. Arranque-me, senhora, as roupas e as dúvidas. Dispa-me. Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de um abismo".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Os contos acima foram extraídos do &lt;em&gt;Livro dos Abraços&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;, de Eduardo Galeano. Foi a última vez em que eu me apaixonei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;.abraço&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;
a.bra.ço
sm (de abraçar) &lt;strong&gt;1 &lt;/strong&gt;Ato de abraçar; amplexo. &lt;strong&gt;2 &lt;/strong&gt;Bot Cirro, gavinha. &lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt; Arquit Entrelaçamento de folhagem lavrada em volta de uma coluna. &lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt; Aderência, compressão, fusão.

&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-1024813417058580458?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/1024813417058580458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=1024813417058580458' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1024813417058580458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1024813417058580458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/09/recordar-do-latim-re-cordis-voltar.html' title='Recordar: Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-3551327969216841346</id><published>2008-09-04T14:49:00.010-03:00</published><updated>2008-12-03T18:35:59.579-02:00</updated><title type='text'>tão Zé</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SMAqioJIMuI/AAAAAAAAAG0/BwTe3kxFLZ8/s1600-h/28_mhg_tomze.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242236740638880482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SMAqioJIMuI/AAAAAAAAAG0/BwTe3kxFLZ8/s320/28_mhg_tomze.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Danç-eh-sá&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao Vivo"&lt;/span&gt; - o álbum que celebra o fim da canção como possibilidade artística. &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Í&lt;/span&gt;cone das invencionices musicais, Tom Zé nos ensina com quantas rugas se faz uma vontade de inovar. O disco é uma continuação de “Dança dos herdeiros do sacrifício”, de 2006. Na releitura - se é que chamá-lo assim não é reduzi-lo a muito menos do que ele é - presenciamos a transformação das antigas canções e a valorização da música despida de letras. É a nudez das músicas bem comportadas. A partir das raízes brasileiras na cultura africana, o nosso baiano de Irará constrói a possibilidade de uma canção ser feita apenas com sons. Por isso, neste disco, o lirismo dá espaço para barulhinhos, onomatopéias e interjeições. Mas sem deixar que uma música assim tão sintética seja tomada pela plasticidade. Aqui, quem guia a cadência são os tambores, percussões e os neologismos embrulhados na voz firme de Tom Zé. Como ele mesmo diz, &lt;em&gt;"é a falência do dicionário, a esculhambação dos verbetes"&lt;/em&gt;. A idéia surgiu a partir de uma pesquisa que a MTV fez em 2005, que apontava a obsessão dos jovens pelo hedonismo, consumismo e a música eletrônica. Por isso, o álbum nasce como um convite para um diálogo. É uma rememorização constante de onde viemos. A afirmação invariável de que somos uma mistura de povos. E mesmo que Tom Zé não seja um artista &lt;em&gt;engajado &lt;/em&gt;(ô palavrinha feia)&lt;em&gt; &lt;/em&gt;ele quer mostrar para os jovens a responsabilidade que eles têm num país de origens tão lutadoras. Cada título do CD tem o nome de uma revolta que conta a história dos escravos e antigos povos revolucionários brasileiros, como Revolta Queto-Xambá ou Revolta Malê. É uma tentativa de narrar a História do Brasil apenas com sons. Tom Zé, ao mesmo tempo prosaico e inventivo, evoca o astronauta libertário que criou em “2001” para percorrer o panorama da música digital influenciada pela tecnologia. Ele invade, então, o território que lhe era estranho: a internet. Quando perguntam sobre tal experiência, ele responde: “&lt;em&gt;sinto-me como se saísse da Idade Média diretamente para uma estação orbital, como no filme de Kubrick&lt;/em&gt;". Atento, ele conhece os efeitos da passagem do tempo na música. Se o disco celebra o fim da canção, Tom Zé mostra que todo fim significa a possibilidade de um outro começo. Assim, a canção, tal como nos foi apresentada até então, acaba, mas se reinventa como sinal dos novos tempos. As letras das suas canções têm o começo geralmente pautado na poesia concreta. Aqui, no entanto, o cantor anula o intermédio das palavras e vai direto para o concretismo sonoro. Uma ilustração disso é a faixa &lt;em&gt;Triu-Trii&lt;/em&gt;, que pelo excesso de similaridades sonoras, parece mais um exercício de fonoaudiologia. É a habilidade com os intrumentos convencionais e o engenho para tirar som de liquidificadores, máquinas de escrever, rádios, enceradeiras e garrafas que fazem de Tom Zé o louco mais sensato da música brasileira. Mesmo que para muitos este álbum pareça somente o barulho gritante de um velho decrépito, as onomatopéias de Tom Zé ultrapassam a etimologia medíocre para dizer muito mais que as palavras. Cada uma das 8 faixas do CD são divididas em três momentos: “viver”, “sofrer” e “revoltar”, uma referência ao Eclesiastes bíblico, espécie de compreensão do ritmo da existência. Tom Zé mostra que toda mudança é dialética: uma coisa deve sumir para que outra apareça, daí a importância de entendermos todos os tempos. Além disso, o próprio título do disco não economiza ironia para mostrar que para bom entendedor, mei pala bas. Esse disco chuta a repetição e aniquila o mais do mesmo. É Tom Zé, novamente novo, como sempre.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;(matéria para Revista Ponto e Vírgula da Web-Rádio Virtual/Unesp, programa Sintonia)
&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-3551327969216841346?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/3551327969216841346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=3551327969216841346' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/3551327969216841346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/3551327969216841346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/09/mudando-de-tom.html' title='tão Zé'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SMAqioJIMuI/AAAAAAAAAG0/BwTe3kxFLZ8/s72-c/28_mhg_tomze.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-6688119243023326120</id><published>2008-07-23T22:58:00.006-03:00</published><updated>2008-07-23T23:16:35.434-03:00</updated><title type='text'>Café Santa Cruz</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfkg2OySjI/AAAAAAAAAGE/v3vpukep3fU/s1600-h/maikon+nery.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfkg2OySjI/AAAAAAAAAGE/v3vpukep3fU/s320/maikon+nery.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226397145551227442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Se queres reparar nos desenhos nos três vitrais de entrada, deves chegar ao meio da tarde, e obrigar-te a não ter pressa. Em Coimbra vive-se devagar. É bom. Conheci poucos lugares onde reinasse assim tão absoluto o esplendor do incomum. Cada mesa tão diferente da outra: um pintor rústico que faz dos dedos pincéis; dois namorados que já saíram com a pressa física do amor; o velho reformado que lê pela décima vez o jornal da véspera - ou ainda o que registra envergonhado estes versos. Desiguais abismos, maneiras de se estar só, encontram aqui um abrigo temporário, senão a própria rasura do tempo. Pouco importa. Abandona-se, finalmente, ao mundo dos desenhos nos vitrais. É tudo o que precisas. Uma música feliz perde-se na tarde. E as lágrimas, afinal, são uma espécie de sorriso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;"Beijaram-se muito naquela escura taberna. Eram novos. Mas acreditavam excessivamente na colisão do afeto - e por pouco não os apedrejaram, alegando, por exemplo, que é proibido o amor a quem manifeste sintomas inequívocos de estar apaixonado. Este país, de fato, é um cemitério sem saída."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- &lt;span style="font-size:130%;"&gt;manuel de freitas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; é poeta, tradutor, crítico literário, editor e diretor da revista portuguesa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;telhados de vidro&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Revista Piauí, ed. 22.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;arte: Maikon Nery&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-6688119243023326120?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/6688119243023326120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=6688119243023326120' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/6688119243023326120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/6688119243023326120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/07/caf-santa-cruz.html' title='Café Santa Cruz'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfkg2OySjI/AAAAAAAAAGE/v3vpukep3fU/s72-c/maikon+nery.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5381488095003216353</id><published>2008-07-23T21:45:00.008-03:00</published><updated>2008-09-04T15:38:50.083-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfRCvMtpSI/AAAAAAAAAF0/GSSrRXV-0QE/s1600-h/318070.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfRCvMtpSI/AAAAAAAAAF0/GSSrRXV-0QE/s320/318070.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226375737546482978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:12;"&gt;Se não quer sentir o horrível peso do Tempo&lt;br /&gt;Que pesa sobre os seus ombros e o esmaga,&lt;br /&gt;Embriague-se sempre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:12;"&gt; Com quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:12;"&gt; Com vinho, poesia ou virtude.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:12;"&gt; Com o que quiseres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;font-size:12;"&gt; Mas embriague-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left; color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:12;"&gt;               &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:12;"&gt;     &lt;span style="color: rgb(51, 0, 51);"&gt;&lt;br /&gt;                    -baudelaire&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não penso nele há muito tempo. Talvez por isso ele despenque sobre mim com tamanha brutalidade. O fato é que o tempo vem comigo para onde eu vou, não consigo driblá-lo. Sacana. E mesmo para me queixar dele, devo recorrer às cinco letras que o formam. Sempre exibindo seus dentes largos de satisfação, o tempo senta-se a me olhar enquanto me arrasta por suas vontades. Mas não o culpo, é assim desde o seu início, e é assim com todas as pessoas. Já o difamaram por todos os cantos. Souberam dignar-lhe ingratidão quando, ligeiro, acelerava os seus ponteiros. Oportunava-lhe o ofício: se retardava o passo para agradar a quem lamentava o seu afã, alimentava a tristeza dos que, mergulhados em alguma infelicidade, cobiçavam apenas a passagem das horas. Acontece que o tempo, ingênuo por tantas vezes, percebeu que deveria apenas continuar, sem medir as consequências. Talvez aí tenha nascido a sua arrogânica: não por gostar de ostentar tanta honra, mas por saber o seu lugar no mundo. O tempo passou a bastar-se. Desliza em seus passos sorrateiros por onde quer direcionar os trilhos do mundo, e nada anula o seu passeio. Determina escolhas, decide direções, desbota as cores, amortece as dores. Edifica sensações, perpetua sentimentos, possibilita esquecimentos. Apaga vanguardas, germina inovações, esmigalha o que fica pra trás. Condiciona os sabores, a direção dos ventos e a duração dos amores. Inspira, mas remete a chichês: o tempo não pára. É por causa dele que existe a evolução e o retardamento; o aprimoramento e o requinte; o declínio, a escassez, a falência múltipla dos órgãos; o ir e a possibilidade de voltar; o espaço, a probabilidade: a estúpida alternativa de deixarmos pra depois. Cada vez mais, tem as faces coradas quando citam-lhe o nome por aí. Artigo de luxo da atualidade, ajuda, inconscientemente, a construir os faustos de um mundo que até para respirar, o faz apressado. O tempo é irritantemente contínuo e  misteriosamente incerto. Já lhe apontaram o dedo na cara aqueles que criticam a sua inexorabilidade. Outros, não sem nenhuma ironia, chamam-lhe “compositor de destinos”, “tambor de todos os ritmos”. Alguns, mais sutis, tratam-no com o intimismo de “mano velho”. Bobagem. Ele não procura companhia, quer apenas ser tempo. Segue decidido, a passos firmes, sem perceber as distorções que faz – ou deixa de fazer. Mal sabe que, por diversas vezes, o seu avanço ininterrupto e fugaz não impediu que permanecessem intactos alguns aspectos da humanidade; não somente os cantos insólitos, como também os mais óbvios e gritantes: todos imunes às mutações que o tempo é capacitado a fazer. O mundo não se decide em relação ao tempo, observa o seu próprio viravoltear e consegue sair ileso às suas manifestações. Daí vem o porquê de o que é moderno ou avançado nem sempre estar aliado às artimanhas temporais. Cheio de manha, esse tempo. Agora mesmo ele ri por mim um riso tímido e quieto por ter passado impunemente enquanto me subtraía horas irreversíveis, fazendo-me pensar nele. Sua definição é o retrato exato da complexidade. Mas talvez seja só porque eu há muito não pensava nele. E talvez também por isso, ele despenque sobre mim com tamanha brutalidade, rindo um riso tímido e quieto&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5381488095003216353?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5381488095003216353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5381488095003216353' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5381488095003216353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5381488095003216353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/07/no-penso-nele-h-muito-tempo.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfRCvMtpSI/AAAAAAAAAF0/GSSrRXV-0QE/s72-c/318070.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-7698253186852534681</id><published>2008-07-23T21:42:00.003-03:00</published><updated>2008-07-23T22:30:36.075-03:00</updated><title type='text'>Esculturas efêmeras do céu:</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfQZ5n8-5I/AAAAAAAAAFs/vMVMM1U6wwY/s1600-h/233831911_5751a37025.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfQZ5n8-5I/AAAAAAAAAFs/vMVMM1U6wwY/s320/233831911_5751a37025.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226375035970452370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Guimarães Rosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-7698253186852534681?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/7698253186852534681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=7698253186852534681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/7698253186852534681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/7698253186852534681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/07/esculturas-efmeras-do-cu.html' title='Esculturas efêmeras do céu:'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SIfQZ5n8-5I/AAAAAAAAAFs/vMVMM1U6wwY/s72-c/233831911_5751a37025.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-6074099590876918893</id><published>2008-05-09T12:01:00.008-03:00</published><updated>2008-09-30T15:38:21.884-03:00</updated><title type='text'>A Paixão Segundo G.H</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Da série:&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:180%;"&gt;"perder-se também é um caminho"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Um apartamento na cobertura de um prédio. Um quarto de empregada abandonado aos olhos da patroa. Uma mulher presa ao conforto de sua vida. Assim começa “A Paixão Segundo G.H”. O livro nos transporta para os confins do pensamento humano, através do fluxo de (in)consciência da personagem-narradora. Somente duas personagens povoam o livro, mas muitas reflexões povoam o nosso pensamento&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;
&lt;/span&gt;G.H é uma mulher como outra qualquer, até o momento em que se depara com o que até então supunha não existir. A partir da demissão da empregada, ela se vê obrigada a limpar o apartamento, função para a qual nunca havia se prestado, mas que despertava o seu interesse, afinal, “limpar é colocar as coisas em ordem” e a organização dava a sensação de segurança de que G.H tanto precisava. A idéia de abrir o quartinho da empregada produzia na mente de G.H as imagens mais sórdidas: julgava encontrar um lugar repleto de traças e tomado pelo mofo. Mas não, o quarto era o recanto de limpeza que G.H julgava existir somente no seu mundo. Ao abrir o guarda-roupa, a calma da personagem é quebrada pela saída de uma barata, que, ligeira, tentava fugir. A partir disso, começa uma enorme viagem pela imaginação da personagem.
A barata promoveu a catarse e significou um máximo estado de introspecção. G.H começa o seu processo de encontro consigo mesma, uma espécie de auto-resgate: “Eu procuraria não esquecer que os geólogos já sabem que no fundo do subsolo do Saara há um imenso lago de água potável (...) O deserto tem uma umidade que é preciso encontrar de novo”. G.H nos leva até o seu passado, relatando situações que até então estavam engavetadas em seu pensamento. O aborto de seu filho volta com força total, e a faz reviver a sensação de que estar grávida era como ter um peixe devorando o seu interior. Essa frieza de G.H assusta o leitor, e, no início, projeta-se no modo como a personagem encara a barata. Mas esse distanciamento era, na verdade, alienação, e é dessa constatação que surge em G.H a vontade de transformação.
O aparecimento da barata balança os alicerces da vida de G.H, e ameaça derrubar toda a sua segurança, uma vez que a barata simboliza, no livro, a desorganização. “A isso quereria chamar desorganização, e teria segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização, pois não quero me confirmar no que vivi – na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro (mundo)”. A personagem tinha medo de desviar do caminho que conhecia, tinha medo de relatar o que aconteceu para o leitor, mas demonstra, desde o começo do livro, a capacidade de segurar na mão imaginária do interlocutor, e relatar com detalhes o acontecido.“É preciso coragem para me aventurar numa tentativa de concretização do que sinto. “É como se eu tivesse uma moeda, e não soubesse em que país ela vale”. Essa coragem evolui até chegar ao seu ápice.
Clarice, através de G.H, nos faz supor a vida em dois planos: o da limpeza, representada pelo conforto do apartamento de G.H, e o da sujeira, representada pela barata e toda a sua significação. A personagem vivia mergulhada em sua rotina de apartamento e café, sem atentar para toda a subversão que existia no mundo. A barata a fez ter contato com a imundície, que, sem ela perceber, a levou para um estado de consciência jamais habitado antes. Nesse trecho do livro – assim como em vários outros - há passagens bíblicas muito emblemáticas e recorrentes que associam a barata ao imundo. O próprio nome do livro, cuja palavra “paixão” também pode ser interpretada como o envolvimento profundo do leitor no mergulho da personagem, é uma alusão explícita à Paixão vivida por Jesus Cristo. O contato com a barata era a sua chaga; a reflexão produzida por ele, sua via-crucis; e o ato de comer o inseto, sua crucificação.
A porta do guarda-roupa não se abrira por acaso, e não só o contato visual com a barata se fazia necessário, como também o contato mais profundo: o tátil e o gustativo. A sensação primeira de G.H foi de nojo, de repulsa por aquilo que ela via como a representação do que de mais sujo havia no mundo, e foi esse sentimento o ímpeto de força que fez G.H comprimir o inseto contra a porta; depois, aconteceu a identificação, a sensação de que ela e a barata não eram de todo diferentes. “O que nela é exposto, é o que em mim eu escondo”: essa era a diferença essencial entre ambas as criaturas, mas que, na verdade, tornava-as cada vez mais iguais. G.H, então, passou a nutrir um certo sentimento de compaixão pela barata. Enquanto esta agonizava no limite entre a porta do guarda-roupa e o chão no quarto, G.H estendia toda a sua existência no espaço daquele quarto, e agonizava em seu entendimento de si mesma. “Como eu não sabia o que eu era, então não-ser era a minha maior aproximação da verdade”. Comer a barata seria o seu modo de evasão. Era quase uma obrigação, a partir da qual a personagem poderia entender o gosto daquilo que ignorava: “Até então meus sentidos estavam desligados/mudos para o gosto das coisas”.
Todas as obras de Clarice prevêem uma mudança nas personagens principais. Por isso é que “A paixão segundo G.H” não é um romance cíclico. A G.H do final do livro não é a mesma que se deparou com o quarto da empregada. Acontece um processo de evolução muito claro, e a personagem afirma: “O mundo independia de mim – esta era a confiança a que eu tinha chegado: o mundo independia de mim (...) Como poderia eu dizer sem que a palavra mentisse por mim? Como poderei dizer senão timidamente assim: a vida. A vida se me é, se me é; eu não entendo o que digo. E então adoro.” Está selada, então, a ressurreição de G.H, que finalmente pode se considerar renascida. A massa branca da barata purificou sua percepção de mundo, e a personagem era agora uma folha em branco. Não era mais uma G.H de apartamento, e sim, uma G.H do mundo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-6074099590876918893?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/6074099590876918893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=6074099590876918893' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/6074099590876918893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/6074099590876918893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/05/da-srie-perder-se-tambm-um-caminho-um.html' title='A Paixão Segundo G.H'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-4763065837525742716</id><published>2008-05-09T11:32:00.009-03:00</published><updated>2008-05-09T12:01:37.837-03:00</updated><title type='text'>Fina massa para paladares refinados</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SCRknDu9PvI/AAAAAAAAAFU/Xj_2YFeck6c/s1600-h/3namassa_confraria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198390492072328946" style="WIDTH: 207px; CURSOR: hand; HEIGHT: 175px" height="223" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SCRknDu9PvI/AAAAAAAAAFU/Xj_2YFeck6c/s320/3namassa_confraria.jpg" width="320" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O cenário musical brasileiro nunca esteve tão saboroso&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. O projeto musical 3 na massa mistura vozes femininas à sonoridades que lembram canções francesas dos anos 60, resultando na mais gostosa promessa musical de 2008.&lt;br /&gt;Assim como o projeto paralelo Orquestra Imperial, formado por músicos em rotação, como Seu Jorge, Rodrigo Amarante e Thalma de Freitas, 3 na massa surpreende pela diversidade de composição e influências diversas. A “massa”, como sugere o nome, é moldada pelas mãos hábeis dos músicos da Nação Zumbi, Pupillo e Sucinto Silva, além do músico paulista Rica Amabis, do grupo Instituto. A intenção era compor uma mistura que desse novo sabor à música pop-eletrônica nacional, abusando de barulhinhos e efeitos sonoros diversos.&lt;br /&gt;O recheio é formado pelas composições de Rodrigo Amarante, Lirinha, Jorge du Peixe e outros. Suas letras salpicam o refinamento das canções. Recheadas de segredos amorosos, frustrações e experiências típicas do universo feminino, elas dão o tom da inocência, mas sem banalizar. Já o tempero fica por conta das participações femininas mais que especiais, que juntam nomes como Thalma de Freitas, Céu, Leandra Leal e Nina Becker, entre tantas outras. Nessa mistura, há ainda um contato intercontinental: Nina Miranda, a vocalista brasileira da indefinível banda inglesa Smoke City, também dá a sua contribuição, na faixa “Morada Boa”.&lt;br /&gt;3 na massa é uma colagem musical; utiliza influências externas, mesclas de hip-hop e jazz, sem negar o encantamento da boa música brasileira. Depois de estrear no My Space, eles lançam seu primeiro cd, &lt;em&gt;"Na confraria das Sedutoras"&lt;/em&gt;, confundindo qualquer um que possa pensar em colocar rótulos em sua sonoridade. A textura do disco é marcada pelas distorções eletrônicas combinadas com o baixo e a bateria dos músicos da Nação Zumbi. Essa combinação entre o eletrônico e os instrumentos tocados cria uma harmonia sonora digna de se ouvir com os olhos fechados.&lt;br /&gt;O peso dos metais convive perfeitamente com as distorções, como em “Sem Fôlego”, interpretada por Lourdes da Luz, da banda paulista Mamelo Sound System. No início da canção, nos acostumamos com os efeitos eletrônicos; quando de repente, os intrumentos tocados invadem a música, além do vocal marcante e da levada hip-hop, sem que isso cause estranhamento. Neste álbum, o inusitado torna-se comum, e a naturalidade guia a cadência das músicas.&lt;br /&gt;Definir seria limitá-los: 3 na massa transcende os limites da música facilmente cantarolável. A sensualidade das vozes femininas provoca sem vulgarizar. Exemplo perfeito disso é a faixa “Certeza”, cantada pela atriz e cantora Leandra Leal; sua narração em francês nos faz visualizar uma &lt;em&gt;lolita&lt;/em&gt; francesa, e é digna de fascínio.&lt;br /&gt;A maior beleza do disco está nas diferenças entre uma faixa e outra; em uma, um molho picante e fervente; em outras, uma sutil pitada de açúcar. Destaque para a inocente “Tatuí”, que na voz de Karine Carvalho lembra uma frustrada paixão adolescente; ou ainda para a sensualidade agressiva de “Pecadora”, embalada pela voz fantasiosa de Simone Spoladore. Há faixas em que a canção adquire tom de narrativa, como em “Certa Noite”, na voz de Alice Braga.&lt;br /&gt;Esses contrastes fazem do disco um delicioso aperitivo para todas as horas. 3 na massa tanto poderia ninar o sono de um bebê, quanto servir de trilha sonora a um lascivo caso de amor. A consistência dessa massa está na criatividade do grupo, que é, antes de tudo, uma conjugação perfeita do paladar musical de cada integrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A extrema ousadia embrulha essa mistura sonora em papel especial, e o presente fica para os nossos ouvidos. Nada mais agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-4763065837525742716?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/4763065837525742716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=4763065837525742716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/4763065837525742716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/4763065837525742716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2008/05/fina-massa-para-paladares-refinados.html' title='Fina massa para paladares refinados'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SCRknDu9PvI/AAAAAAAAAFU/Xj_2YFeck6c/s72-c/3namassa_confraria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5401943072396588172</id><published>2007-07-22T20:41:00.001-03:00</published><updated>2008-12-03T18:34:24.754-02:00</updated><title type='text'>Imaginação, imagine ação.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQEui3062I/AAAAAAAAAFE/uMdJX6ScJrY/s1600-h/criatividade.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090198676516957026" style="WIDTH: 278px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 208px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQEui3062I/AAAAAAAAAFE/uMdJX6ScJrY/s320/criatividade.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,0,51);font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;- Da percepção e outras coisas que só se vê quando se olha pra dentro&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt; &lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Poluição. De monóxido&lt;span style="font-size:100%;"&gt; de carbono, d&lt;/span&gt;e multidões e de pensamentos.&lt;br /&gt;Não havia um canto sequer ileso da má conduta do ser humano, e nada que fosse fitado naquele momento seria completamente limpo. À parte isso, as pessoas pareciam não se importar com o acúmulo de descaso nas esquinas e desfilavam pelas calçadas prestando atenção em seu próprio umbigo. Despreocupação desvairada, desprovida de qualquer humanidade. As ruas se cruzavam, mas as pessoas, não. Nada estava interligado. Uma esquina era totalmente alheia à outra. O poste mijado por bêbados cambaleantes era totalmente alheio ao outro poste enfeitado por grafites e mosaicos. Era cada esquina por si, cada poste por si, cada um por si, e as putas do Parque paqueravam tranqüilas enquanto o menino comia pipoca. Constatação inusitada, que me valeu alguns minutos de estranheza. Mas sentia-me bem apenas por notar a grandiosiodade que parecem ter as coisas quando ainda são inéditas. Depois vai diminuindo, fenecendo, até se tornar algo tão pequeno que sempre pareceu estar ali. É sempre assim. Os barulhos se espalhavam no ar como pedaços de um morango num liqüidificador e iam se instalar justamente na minha cabeça, enlouquecendo-me. Profecias, promessas, premissas, discursos daqueles que precisavam gritar para não parecerem loucos sozinhos: partilhar a loucura com o mundo e enlouquecê-lo. "Filhos-de-uma-peste", dizia a mulher com poucos dentes e pouca simpatia quando os transeuntes viravam-lhe a cara. Talvez a falta de simpatia fosse ocasionada pela falta de dentes, mas havia naquela expressão e naquele falar-quase-gritando uma mistura de revolta, tristeza e desdém que as pessoas continuavam a não ver e não escutar - se é que não fingiam uma das duas coisas. A cena não foi vista pela primeira vez, nem pela segunda, muito menos pela terceira, mas foi vista pela vez em que eu me envolvi. Foi quando constatei que se pode ficar subnutrido de humanidade, e essa constatação foi triste. O que pintava uma interrogação no entendimento era a contradição. Imensas construções inundadas por dinheiro, que é pra burguês nenhum botar defeito, e a cidade inundada de sujeira, que é pra mendigo nenhum tirar proveito - "êta, globarbarização". De repente, o lugar todo olhou para mim, como se quisesse que eu olhasse para outra direção e focasse minha atenção em alguma coisa feliz, afinal, havia beleza também, por todos os cantos, beleza demais. Na espontaneidade, na descontração, na intenção de inundar uma estação de metrô de linguagem, música e poesia; na capacidade de viver o momento, nas cores das coisas que aconteciam ao mesmo tempo. O batuque acontecendo ali e o comércio barulhento acontecendo lá. Uma despreocupação diferente da anterior, desprovida de qualquer maldade. Arte exposta nos muros, manifestações culturais que falavam por si mesmas. Arte barata, que diverte mas não basta. E arte abstrata, que invade e não maltrata. Era como uma colcha de retalhos de tudo o que se pode chamar de cultura: cada um escolhia a que melhor lhe cobrisse. Não é que tudo ali fosse bonito, mas o que era bonito era tão bonito que fazia o feio se livrar de uma parte da feiúra. E o sorriso se fazia soberano - "a única salvação do ser humano é a alegria".&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="COLOR: rgb(153,153,153)" href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQB9S306xI/AAAAAAAAAEc/8X0pzEPWXTI/s1600-h/preto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090195631385144082" style="WIDTH: 27px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 30px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQB9S306xI/AAAAAAAAAEc/8X0pzEPWXTI/s320/preto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="COLOR: rgb(153,153,153)" href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQB9S306xI/AAAAAAAAAEc/8X0pzEPWXTI/s1600-h/preto.jpg"&gt; &lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="COLOR: rgb(153,153,153)" href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQB9S306xI/AAAAAAAAAEc/8X0pzEPWXTI/s1600-h/preto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090195631385144082" style="WIDTH: 27px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 30px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQB9S306xI/AAAAAAAAAEc/8X0pzEPWXTI/s320/preto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="COLOR: rgb(153,153,153)" href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQB9S306xI/AAAAAAAAAEc/8X0pzEPWXTI/s1600-h/preto.jpg"&gt; &lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" style="COLOR: rgb(153,153,153)" href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQB9S306xI/AAAAAAAAAEc/8X0pzEPWXTI/s1600-h/preto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090195631385144082" style="WIDTH: 27px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 30px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQB9S306xI/AAAAAAAAAEc/8X0pzEPWXTI/s320/preto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5401943072396588172?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5401943072396588172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5401943072396588172' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5401943072396588172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5401943072396588172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/07/imaginao-imagine-ao.html' title='Imaginação, imagine ação.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RqQEui3062I/AAAAAAAAAFE/uMdJX6ScJrY/s72-c/criatividade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-2030063323940410599</id><published>2007-07-13T15:32:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T15:42:49.114-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RpfF97E2bBI/AAAAAAAAADU/YNzg8X4AHa8/s1600-h/1000imagens.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RpfF97E2bBI/AAAAAAAAADU/YNzg8X4AHa8/s320/1000imagens.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086751971758992402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Minha cabeça já esteve mais nas estrelas&lt;br /&gt;Agora eu gosto mesmo é de pés&lt;br /&gt;Sentir o pulsar do chão&lt;br /&gt;Adivinhar o encanto&lt;br /&gt;Seguir pelos cantos&lt;br /&gt;Entoar num canto&lt;br /&gt;O descuido que é viver&lt;br /&gt;Deixar-me estar assim&lt;br /&gt;Simples como tudo enfim&lt;br /&gt;Que a complicação só há&lt;br /&gt;Se a gente deixa ela estar&lt;br /&gt;Saber que a vida é coisa indecifrável&lt;br /&gt;E não saber, enfim, de nada&lt;br /&gt;Mas desconfiar de muita coisa&lt;br /&gt;Que os anos nos tragam rimas,&lt;br /&gt;Não rugas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-2030063323940410599?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/2030063323940410599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=2030063323940410599' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/2030063323940410599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/2030063323940410599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/07/minha-cabea-j-esteve-mais-nas-estrelas.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RpfF97E2bBI/AAAAAAAAADU/YNzg8X4AHa8/s72-c/1000imagens.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-1397914380533812378</id><published>2007-07-05T01:56:00.000-03:00</published><updated>2007-07-12T19:03:48.469-03:00</updated><title type='text'>A fatia mais doce</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RpalO7E2bAI/AAAAAAAAADM/IxouhOkhPwg/s1600-h/04_13_57_lipka_jola_freedom.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RpalO7E2bAI/AAAAAAAAADM/IxouhOkhPwg/s320/04_13_57_lipka_jola_freedom.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086434504956341250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Eu cronico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Tu cronicas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ele &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;crônica&lt;/span&gt; (II)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cacete! - eu pensei. As coisas acontecem de um jeito estranho.&lt;br /&gt;Logo hoje, hoje mesmo, que me perguntei por onde andava aquele sorriso. Despontou sua voz do outro lado da linha, ávida e urgente. E eu, de súbito silêncio telefônico, pronunciei as primeiras palavras.&lt;br /&gt;Perguntei dos últimos acontecimentos, do final de semestre, dos projetos engavetados, do cachorro. Ele perguntou da vida como andava, dos bares, das novidades, e mais tarde dos planos para preencher aquela noite. Disse-me com certa melancolia estudantil que corria sérios riscos de enlouquecer se ficasse estudando mais uma noite, e sugeriu que fizéssemos alguma coisa. Checou os cinemas, os teatros, os bares, e não havia nada além de peças teatrais infantis do outro lado da cidade, filmes hollywoodianos que ofendem a inteligência e  músicos estranhos que atraem multidões igualmente estranhas; isto somado ao fato de que os locais em questão não foram projetados para comportar multidões. "Não temos balão de oxigênio". Decidimos por usufruir o seu imenso acervo cinematográfico, que comporta desde os clássicos até os excessivamente modernos. Optamos pelo filme que assistimos quando nos conhecemos, fizemos promessas de não cometer suicídio coletivo pós-filme, e combinamos o horário: 10 horas. Eu tinha cerca de uma hora para chegar a uma conclusão cabível e humanamente aceitável sobre o por quê dessas coisas acontecerem comigo, e dessa maneira específica, essa que me faz sentir totalmente impotente frente o desenrolar do meu próprio enredo, sem sequer escolher os personagens da trama. Naqueles quinze para as dez da noite, eu era toda calça jeans, camiseta, par de tênis e bala de menta, carregando um pacote de chocolate para adoçar o filme. Fui pelo mesmo caminho daquele dia, para diminuir as chances de me perder. Me perdi. "E eu pensando que me lembrava de todos os pormenores daquele sábado", lamentava para meus botões.  Acabava de constatar: não lembrava. Fui parar numa rua desconhecida que me lembrou alguma cena de livro. Vi de longe um homem fechando o portão de uma casa e fui logo perguntar a ele o quão longe eu estava da rua Oliveira-alguma-coisa (sou péssima com explicações), ao que ele, todo bonachão, chamou sua mulher que estava lá dentro, afinal, como disse o tal homem "mulheres costumam ser mais sensatas". Ele e o filho me olhavam com cara de paisagem, como que com vergonha de não saberem explicar uma coisa tão simples para quem mora ali. Chegou a mulher, e antes que eu dissesse qualquer coisa, foi logo me acompanhando até a rua que ela suspeitava ser a que eu procurava. "Eu sei como é, sempre me perco lá pelas bandas de Jardins, aqui estou acostumada", ela me dizia com tanta simpatia que fiquei com vontade de dar a ela o chocolate que guardava na bolsa, mas me contive. E ela continuava: "...mas é bom, assim já trato de perder as calorias da pizza que comi, e não me sinto culpada". Duas quadras depois e já pude avistar a simpática e familiar casa amarela. Agradeci com muitos sorrisos e subi a rua respirando forte. Logo em frente, um rapaz e uma moça, conversando. Por um momento, pensei em cumprimentar, mas eles anteciparam os meus pensamentos e me lançaram um simpático aceno. Constatei minha excessiva cara-de-pau e ri em pensamento. Chamei, e já fui prontamente respondida - "Ei!" - Eu ri de novo, mas dessa vez não em pensamento. Ele passou da porta para o corredor numa rapidez que eu nem tive tempo de preparar uma cara apropriada ou disfarçar o meu calor e meu fôlego escasso - "Filho-da-mãe", pensei. Foi abrindo o portão sorrindo, tudo muito rápido, e me recolheu para dentro num abraço apertado cheirando a banho recém-tomado. Ah, era bom ver aquela casa de novo. Supliquei por água e fui cumprimentar a Tina - "Boa noite, pretinha!": era o cachorro mais humano que havia, com imensa sinceridade no olhar e latido honesto. Perguntei pelos outros que também viriam, mas vi que seríamos nós dois apenas. Lancei um olhar demorado por todo o ambiente e notei a descontração: as almofadas coloridas e as partituras espalhadas pelos cantos conferiam ao lugar um ar de "sinta-se à vontade". Puxei uma cadeira entre as tantas que enfeitavam a sala e, entre um assunto e outro, pude reparar no seu sorriso escancarado, significando um muitíssimo bom humor. Tratou de pegar cerveja na cozinha, e voltou se justificando, "Só uma está gelada, por enquanto". Sentamos e “colocamos as mentiras em dia” – como costumávamos dizer – e, como de costume, me senti burra quando li os seus trabalhos da faculdade espalhados pela mesa. Metodologia pra cá, lei não-sei-do-quê pra lá, e os estudos todos newtonianamente organizados numa pasta azul-piscina. Me mostrou as várias prateleiras entupidas de vinis, e em meio àquela gigantesca organização, me deparei com todos os tipos de sons, passando pela prateleira entitulada "tranqueira", onde ele acomodava as cafonices sonoras da vida. Alguma delas tocava na vitrola, e ele se sacudia histericamente, dizendo que seus filhos e netos ouviriam aquilo um dia. O riso era constante, tinha me esquecido do quanto somos exatamente nós mesmos quando nos juntamos. Aquele falar onomatopéico e estendido e o modo de balançar a cabeça em sinal de negação já eram meus velhos conhecidos; o que tinha ali de novo era o efeito interessante que aqueles olhos azuis produziam em mim, e é engraçado como isto dito assim parece banal. Falamos de tudo, chegamos até a planejar um experimento cientificamente monitorado para testar os diferentes sabores de cerveja. "Esta aqui não é boa, mas não é um clássico da ruindade, fico grato apenas por sua existência etílica", e brindava no ar, batendo num copo imaginário. Mas eu não conseguia me desligar do azul, era magnético. Depois de alguns desvios de planos e resistência por parte dele - "não quero amargurar os ares"- arrumamos o sofá e as almofadas, e nos resumimos à meias e travesseiros embolados. Combinamos que em alguns momentos falaríamos algumas bobagens, só para não chorar. Joel e Clementine conversando de lá, e nós de cá, imaginando como seria se cada cena do filme estivesse acontecendo com a gente - "o que faríamos?". Como eles eram perturbados! Uma perturbação beirando a insanidade, mas eram um pouco de nós, em vários momentos, embora a loucura de Clementine ofuscasse a normalidade de Joel. Parecíamos dois críticos de quinta achando defeito em cada detalhe (de modo que ficava impossível deixar-se envolver pela história dramática e ter desejos suicidas a posteriori) e, alguns risos mútuos depois, já éramos dois seres esparramados entre as almofadas com os braços entrelaçados. O filme pela metade, e tudo estava perto;  foi inevitável o encontro dos rostos também. Se fosse diferente, perderíamos toda a naturalidade, e a perda da naturalidade entre duas pessoas é quase um crime. Os beijos e os abraços oscilavam entre as risadas e as conversas pseudo-filosóficas. O assunto foi abrangente, chegamos a temas perigosos. Ele me contou das decepções passadas, da sua falta de capacidade para adotar a solução mais simples, dos sumiços que são necessários, vez ou outra, e da dificuldade de se ser homem num meio tão gay. "Minha vida é complicada, sabe...", me dizia de tempos em tempos. "Eu fico meio amargo, às vezes, e não quero envolver ninguém nessa minha amargura, ela é só minha." E eu ouvindo, estática como um poste. Esparramei naquela sala todas as minhas teorias sobre as pessoas, sobre os vários de nós em nós mesmos, sobre os níveis de conhecimento que se pode ter sobre alguém, e só então me ocorreu "O melhor está nas entrelinhas", como dizia Clarice. Acho que se trata exatamente disso: o melhor de nós está nas entrelinhas, não no que está exposto, escancarado, óbvio. "Você é legal pra cacete!", dizia.  Era bom trocar delírios e conflitos internos; mas aí, nos lembrávamos de que era sábado, de que estávamos ali, de que as coisas só doem porque nós queremos (vide a tão famosa frase drummoniana "a dor é inevitável, o sofrimento é que é opcional") e mandávamos tudo para o inferno, resgatando os beijos, abraços, assopros e suspiros de onde estes tinham parado. Éramos dois bobos discutindo as possibilidades de estar só e em companhia. Nunca o entendi tanto: ele é mais do que livre, precisa de espaço para se estender, e conquista amigos que de longe entendem tudo isso. Foi então que comecei a entender que nas vezes em que sofri, foi por esperar pessoas incondicionais - embora não acredite em coisas incondicionais, tampouco em coisas altruístas, afinal, até mesmo a moça que me ajudou a chegar na casa dele, não o fez por mim, mas por ela. Por ela, e por sua pizza. A hora avançava e eu tive que ir, esse momento foi dolorido, eu não queria ir. Estávamos sentados com as costas grudadas e as mãos dadas, como naqueles filmes em que amarram o mocinho e a mocinha de costas um para o outro. Era digno de uma fotografia. Abrimos o portão, ele lembrou de caçar uma camiseta qualquer, e me acompanhou pelo caminho, embora muito lhe custasse abrir os olhos naquela claridade de dia amanhecido. Percorríamos aquelas ruas com a calma de um canto gregoriano, desviando dos raios teimosos do sol que insistiam em nos cegar, . Ele ria, e me dava o perfil completo de cada morador dali, acrescendo algumas mentiras pra dar mais complexidade. Avistei a já lendária “Mirtes”, de quem ele já me falara tantas vezes e que de longe podíamos ver, no bar da esquina, de costas, vestido decotado, lavando a louça dos bêbados.&lt;br /&gt;- E eu pensando que ela era centenária!&lt;br /&gt;- Imagina! Ela está toda conservada.&lt;br /&gt;- Já pegou?&lt;br /&gt;- Não... Mas só porque ela não quis.&lt;br /&gt;Muitas risadas. Não queria dizer nada tão clichê quanto pedir para não desaparecer por aí, não era necessário, e de fato não foi dito. Ele me abraçou. "Me desculpa pelo excesso de mim mesmo?" - me entregando uma flor amarela do canteiro mais próximo - , ao que eu respondi "Concordo com a Clarice", e ele sorriu. Não era um sorriso de frente, nem era um sorriso de lado, era o presente livre de passado e sem obrigação de futuro. Uma história que não devia explicações: era impunemente doce, e leve como a flor com cheiro de baunilha que eu segurava nas mãos. "Não desmaie no caminho, esse cheiro é tóxico". Boas lembranças são doces pedaços de vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-1397914380533812378?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/1397914380533812378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=1397914380533812378' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1397914380533812378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1397914380533812378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/07/fatia-mais-doce.html' title='A fatia mais doce'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RpalO7E2bAI/AAAAAAAAADM/IxouhOkhPwg/s72-c/04_13_57_lipka_jola_freedom.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-1131027741297186658</id><published>2007-07-03T17:36:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T15:43:51.589-03:00</updated><title type='text'>"Viver é um descuido prosseguido"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/Roq42LYAtAI/AAAAAAAAAC0/-j38HSCvSC0/s1600-h/IMG_0260.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/Roq42LYAtAI/AAAAAAAAAC0/-j38HSCvSC0/s320/IMG_0260.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083078370346972162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela mal sabia as horas quando ele entrou por seu coração bicameral e se instalou sem nem bater na porta. Entrou, se esticou, deitou, rolou, cantou, dançou, e depois, em vez de se jogar na Lagoa Rodrigo de Freitas, se instalou. Já tem cama, comida, roupa lavada. Lugar certo na poltrona, cadeira reservada na mesa e escova de dentes. E aquele jeito de dormir? O jeito plácido de olhar, o jeito de não olhar. Ah, o jeito de não olhar... O sorriso tímido de quem ri em lugar que não pode, o jeito terno de dobrar a esquina e olhar pra trás, a tranqüilidade. Os delírios em sonho, os sonhos em realidade, a realidade delirante. Os filmes recheando tardes vazias, as mãos esquentando o frio, o macarrão esparramado no prato. E aquele casaco vermelho? O cabelo mal ajeitado do lado, o dente sujo de biscoito, o pescoço cheirando a perfume de terceira idade. E os risos contínuos? O dormir e acordar, o acordar pra depois dormir outra vez, o sorriso despercebido, no cantinho da boca, lindamente espontâneo.&lt;br /&gt;E a saudade? o aperto bem no meio do coração, a sensação de ter esquecido como é sorrir mutuamente, a vontade de ver passando pela janela quando só se ia fechar a cortina, e sair correndo fazendo palhacice, a vontade de encontrar por aí, casualmente. Mas não, há a falta. E a ausência? o buraco, o tracejado reticente de mim mesma, a lacuna que só me há quando você não está. Mas depois torna tudo a se repetir. E nós?&lt;br /&gt;Os apertos e rodopios, as cantorias e as artimanhas, os sabores e os amores, os doces e os levemente amargos, os abraços e os afagos, o apego, o sossego. E aí volta a ausência, soberana, em passinhos sorrateiros, fazendo-se por despercebida, levando um tanto de nós, e trazendo um pouco mais de nós, muitos nós, que custam a desatar. Ela nem sabia o que era que chegou invadindo, e seguiu colorindo. Não importa: pra muita coisa importante falta nome.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-1131027741297186658?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/1131027741297186658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=1131027741297186658' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1131027741297186658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1131027741297186658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/07/viver-um-descuido-prosseguido.html' title='&quot;Viver é um descuido prosseguido&quot;'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/Roq42LYAtAI/AAAAAAAAAC0/-j38HSCvSC0/s72-c/IMG_0260.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-5835643554116866950</id><published>2007-06-29T14:56:00.000-03:00</published><updated>2007-06-29T16:40:13.476-03:00</updated><title type='text'>Laurêncio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoVTa7YAs-I/AAAAAAAAACk/gYFKRTjM2W4/s1600-h/navegar.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoVTa7YAs-I/AAAAAAAAACk/gYFKRTjM2W4/s320/navegar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081559476637578210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu cronico&lt;br /&gt;Tu cronicas&lt;br /&gt;Ele &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;crônica&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A vida, às vezes, nos ensina com quantos sonhos desperdiçados se faz um rosto triste.&lt;br /&gt;Laurêncio tinha um desses rostos carregados de história, mas que, na verdade, são assim tristes por carecerem de grandes histórias; olhar para Laurêncio era como ver o que acontece quando a vida passa e a gente não se dá conta. Tinha olhos sinceros e sorriso apagado. Os cabelos castanhos mal cortados e raros naquela cabeça esférica lhe conferiam aparência desleixada. Os olhos também eram castanhos, e não se fixavam em nada que fosse realmente digno de ser fitado. Encimando a boca, um castanho bigode recém-cultivado, do qual orgulhava-se feito louco. A pele não era clara, nem morena: era castanha. Laurêncio era um sujeito castanho. Nem feio, nem bonito, e vez ou outra até atraía o olhar de alguma moça que cruzasse com ele na calçada, mas Laurêncio nunca notava; vivia sempre mergulhado em sua própria existência. Laurêncio era mirrado. Era mirrado por opção, não por faltar o que lhe nutrisse. Comia muito devagar e pouco, e isso devia-se ao fato de comer em companhia de si mesmo, fazendo palavras cruzadas ou até mesmo contando os azulejos da parede da cozinha, para não parecer que o silêncio o invadia por inteiro; Laurêncio não sabia que o silêncio trata-se de nós mesmos, só que demais, não sabia que o silêncio é o excesso da gente. Ou talvez soubesse, e por isso mesmo temesse deixar-se silenciar por completo. Laurêncio faltava a si mesmo, e estar em sua própria companhia era, em essência, como estar na companhia de alguém com quem não se tem nada em comum: um estranho. Não tinha assuntos consigo mesmo; os doces sonhos de outrora cresceram e verteram-se em vítimas da realidade nua e crua, a simpatia e o&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;bom humor o haviam abandonado quase que completamente – exceto nas vezes em que se divertia observando os vizinhos sob as lentes de um binóculo velho - , e quanto à juventude, ah, esta já estava há tempos camuflada em seus trajes cinzentos e dentes amarelados, ambos regados a tabaco barato. Conversar consigo mesmo era como travar uma luta sem fim entre o que deveria ter sido no passado e o que era no presente. Laurêncio era justamente o que não deveria ter sido. Assim, preferia rechear os momentos solitários com passatempos vazios, evitando que seu eu frustrado resolvesse lhe questionar. E além do mais, detestava brigas. Laurêncio era um sujeito pacífico, tão nocivo quanto uma borboleta que pousa despretensiosamente no primeiro muro que lhe aparece. Ocupava no mundo nada mais que o espaço de seu próprio corpo, e retirava deste apenas o oxigênio necessário à sobrevivência, e alguns aprendizados, como não poderia deixar de ser.&lt;br /&gt;Era muito curioso, confuso de si e do mundo, mas não lhe apetecia passar mais que cinco minutos digladiando-se com questões de metafísica filosófica; a isto, bastava um copo de tequila e uma tragada num cigarro, para que a confusão mental logo se dissolvesse. Mas, à parte isso, gostava de ler, e mantinha alguns tortos hábitos de leitura.Abominava livros de leitura pesada, densa, estendida. Preferia as histórias em quadrinho baratas de banca de revista, e os versos repletos de lugar-comum contidos em livros de citações, frases e pensamentos. Laurêncio era de fato um homem de frases e pensamentos - alheios, mas ainda assim frases e pensamentos. Sempre que estendia conversa com alguém nos bares ou botecos, acabava logo com a discussão citando um Sartre, um Sócrates, um Shakespeare, este último, aliás, não sabia pronunciar sem que ficasse parecendo uma onomatopéia ou coisa muito estranha. Era um homem pobre de idéias, limitado em seu próprio medo de mergulhar na dificuldade das questões irrespondíveis. Assim, seu raso entendimento era por opção, não por faltar-lhe intelecto. Deixava os que o viam com a impressão de ser ele um homem esclarecido, seguro do que diz, e pleno em sua existência, mas a verdade é que Laurêncio mal conseguia ocupar o espaço de seu apartamento, tamanha a pequenice e solidão que lhe causava olhar para todo aquele espaço inabitado. Nada de dramático, porém, nessa constatação: Laurêncio tentou algumas vezes, estreitar relações com mulheres que encontrava casualmente pela vizinhança, e com algumas efetivamente viveu romancezinhos, mas Laurêncio era brando, plácido, estático, e não encontrou uma só mulher que conseguisse compartilhar dessa ausência de dinamicidade. Cansou de procurar. Viver só era também por opção, não por faltar quem lhe amasse.&lt;br /&gt;Laurêncio vivia para o trabalho - embora o trabalho não vivesse para ele - um emprego na fábrica de papéis nas proximidades de sua casa – o que era muito bom, pois podia ir andando, ter mais tempo para não fazer nada; Laurêncio lidava bem com a linearidade, talvez por ter se acostumado a sempre saber qual seria o próximo passo. Vivia submerso em sua rotina previsível, e nela não havia espaço para novas descobertas, nem cabiam planos repentinos. Contentava-se com o salário no fim do mês, as gratificações que a fábrica lhe dava, e o cigarrinho pousado no cinzeiro no final do expediente. Anulou, mesmo que sem perceber, a aventura da existência, e isso apenas por ser Laurêncio uma peça da engrenagem que move a sociedade, e não por faltar no mundo um sabor que lhe atraísse. Experimentava, quando lhe surgia vontade, um novo sabor de sorvete, o deitar na grama e sair se coçando todo, o sentar-se num banco de praça e ler um bom livro. Mas Laurêncio não se dava a esse luxo nunca por muito tempo, achava difícil conciliar obrigação com prazer, e como era este primeiro que lhe trazia o sustento, ficava mesmo com a obrigação. Acabou tornando-se cinzento, alheio ao seu coração, que falava e Laurêncio nunca dava ouvidos; ser surdo era por opção, não por faltar-lhe os sentidos.&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:12;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não se pode dizer que era triste, mas o que vivia também não se pode chamar felicidade. Laurêncio vivia arrastando os dias, e moldando a eles seus passatempos desimportantes. Pode parecer trágico, mas viver essa vida rasa e monocromática era por adequação, e não por faltar-lhe pulsação. Assim era Laurêncio, nome de elemento químico, trinta e sete anos, trinta e sete sonhos desperdiçados, alguns dentes amarelados e apenas uma cômoda satisfação: a urgência de estar vivo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-5835643554116866950?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/5835643554116866950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=5835643554116866950' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5835643554116866950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/5835643554116866950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/06/laurncio.html' title='Laurêncio'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoVTa7YAs-I/AAAAAAAAACk/gYFKRTjM2W4/s72-c/navegar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-4647801984672602495</id><published>2007-06-28T18:52:00.000-03:00</published><updated>2007-06-29T17:06:41.182-03:00</updated><title type='text'>O tom sério que essa tal de opinião faz a gente adquirir.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQvSbYAs5I/AAAAAAAAAB8/Q_d-BZbV2tI/s1600-h/53374268.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQvSbYAs5I/AAAAAAAAAB8/Q_d-BZbV2tI/s320/53374268.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081238273213379474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Considerações minhas para o poema "Tempos Modernos", de Brecht.&lt;br /&gt;Abre parênteses para o poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os tempos modernos não começam de uma vez por todas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Meu avô já vivia uma época nova&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Meu neto talvez ainda viva na antiga&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;A carne nova come-se com velhos garfos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Época nova não a fizeram os automóveis&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Nem os tanques de guerra&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Nem os aviões sobre os telhados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nem os bombardeios&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;As novas antenas continuam a difundir as velhas asneiras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A sabedoria continuou a passar de boca em boca."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;Fecha parênteses. Brecht é lindo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: georgia;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: georgia;font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Assim não caminha a humanidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Ao contrário do que afirmavam as mais mórbidas previsões apocalípticas, o século XXI segue seus rumos pelos caminhos da História, tendo como protagonistas duas idéias contrastantes e paradoxais: a modernidade promovida pelos progressos tecnológicos e o avanço dos tempos, e a estagnação do homem, promovida pela manutenção do que há de mais arcaico no quesito humanidade: o impulso predatório.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Ocorreram, nos últimos séculos, descobertas científicas que de tão imponentes intimidaram os mais ferrenhos religiosos; o homem criou as condições para que fossem desvendadas barreiras tecnológicas que pareciam intransponíveis. Enfim, as descobertas, os aprimoramentos e os vertiginosos avanços, que constituem a parte positiva da modernização, têm maximizado a idéia ilusória de “deusificação” do homem, enquanto este se considera o ser supremo e expoente máximo do que há de mais moderno na sociedade. No entanto, a realidade não economiza exemplos que nos mostram o contrário dessa suposta evolução, uma vez que os progressos promovem mudanças apenas na forma; a essência permanece a mesma.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Contrariamente à quebra de barreiras científicas e/ou tecnológicas, o homem contrói barreiras invisíveis que separam a modernidade dos mais genuínos sentimentos humanos: destrói-se o sentido de humanidade em detrimento da ganância e cobiça. Assim, nota-se um descompasso na sociedade atual, em que as tecnologias progridem e o caráter duvidoso do ser humano permanece estático. Um exemplo dessa estagnação de caráter é a guerra no Oriente Médio, na qual países de diferentes etnias e religiões permanecem em constante conflito por “simples” orgulho e intolerância.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;É (além de revoltante) assustadoramente triste, que num mundo que goza de todos os recursos necessários para uma qualidade de vida confortável, ainda haja casos de pessoas morrendo por falta de pronto-atendimento e negligência em Instituições de saúde pública que perecem por falta de verba, já que esta é quase sempre desviada para cofres de terceiros. O Brasil, país que carrega em seu histórico um vergonhoso passado escravocrata, aboliu a escravidão, mas não o preconceito, e não-raro vemos negros sendo tratados de maneira coerente com os moldes coloniais, exemplificando a mediocridade do ser humano.&lt;br /&gt;Modernidade sempre existiu, e continuará a existir, ainda que subjetiva e até mesmo incoerente, já que o homem relativiza a modernização. O caráter humano é intrinsicamente mesquinho, ambicioso, materialista, o que não permite que este se enquadre no cenário das mudanças conseqüentes do processo de globalização. Portanto, a constatação que se tem é a de que numa sociedade que se sustenta sobre os mais arcaicos alicerces e se constrói ainda sob moldes coloniais, haverá de ser sempre relativo o conceito de modernidade; o mundo valse-se das mais evoluídas tecnologias, enquanto o homem não possui um quinhão das qualidades que conferem dignidade à humanidade. A uma sociedade baixa, ordinária e humanamente estagnada, ainda não cabe a tão sonhada modernidade.                     &lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E agora, José?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-4647801984672602495?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/4647801984672602495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=4647801984672602495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/4647801984672602495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/4647801984672602495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/06/o-tom-srio-que-essa-tal-de-opinio-faz.html' title='O tom sério que essa tal de opinião faz a gente adquirir.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQvSbYAs5I/AAAAAAAAAB8/Q_d-BZbV2tI/s72-c/53374268.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-1505462483671228132</id><published>2007-06-28T17:56:00.000-03:00</published><updated>2007-06-29T17:08:15.494-03:00</updated><title type='text'>Sonho de voar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQm2LYAs4I/AAAAAAAAAB0/nw4nM01GXX8/s1600-h/10.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQm2LYAs4I/AAAAAAAAAB0/nw4nM01GXX8/s320/10.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081228991789052802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQk2LYAs2I/AAAAAAAAABk/S9TmW2nsDb8/s1600-h/dreamsofflying06.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQk2LYAs2I/AAAAAAAAABk/S9TmW2nsDb8/s320/dreamsofflying06.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081226792765797218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQkf7YAs1I/AAAAAAAAABc/OK2QD86LGuY/s1600-h/dreamsofflying01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQkf7YAs1I/AAAAAAAAABc/OK2QD86LGuY/s320/dreamsofflying01.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081226410513707858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQkULYAs0I/AAAAAAAAABU/MonOdhuS32s/s1600-h/dreamsofflying02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQkULYAs0I/AAAAAAAAABU/MonOdhuS32s/s320/dreamsofflying02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081226208650244930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQiprYAsvI/AAAAAAAAAAs/5YXmmy_y_9A/s1600-h/dreamsofflying16.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQiprYAsvI/AAAAAAAAAAs/5YXmmy_y_9A/s320/dreamsofflying16.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081224378994176754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQiabYAsuI/AAAAAAAAAAk/OqrT1qQ077w/s1600-h/dreamsofflying11.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 265px; height: 179px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQiabYAsuI/AAAAAAAAAAk/OqrT1qQ077w/s320/dreamsofflying11.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081224117001171682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQh6rYAssI/AAAAAAAAAAU/VfBeyCohOfY/s1600-h/dreamsofflying12.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQh6rYAssI/AAAAAAAAAAU/VfBeyCohOfY/s320/dreamsofflying12.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081223571540325058" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só porque é lindo, porque dói de tão lindo e, por último, mas não menos importante, por ser incrível e absurdamente lindo! Ah, e porque o sonho de voar é o denominador comum de todas as vidas, ou ao menos de toda pessoa que já teve cinco anos e quis ir ver o céu azul de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exposição de fotografias: "Dream of flying", de Jan Von Holleben:&lt;br /&gt;http://www.janvonholleben.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-1505462483671228132?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/1505462483671228132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=1505462483671228132' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1505462483671228132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/1505462483671228132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/06/sonho-de-voar.html' title='Sonho de voar'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/RoQm2LYAs4I/AAAAAAAAAB0/nw4nM01GXX8/s72-c/10.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-117012631500465305</id><published>2007-01-30T01:00:00.000-02:00</published><updated>2007-01-30T01:08:01.850-02:00</updated><title type='text'>Sismar, amar...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/223650/253522.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/442435/253522.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;













(Um conto pra você Ismar)
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;-- Alice Sant´Anna&lt;/span&gt;:

"Eu ainda tinha dentes de leite quando fomos apresentados. Não estou exagerando. Ismar, quando aparecia aqui em casa, falava em livros e música e cinema e mais um vasto repertório, aparentando no mínimo trinta anos. Talvez fossem os cabelos, ou o colete de francês em plena Nouvelle Vague: o fato é que Ismar era sinônimo de evento. De escolher tópicos e saia de bolinhas, só pra ver a sua barba se abrindo em sorriso de aprovação.
Cantando de braços dados uma marchinha de carnaval, hoje, percebo como é difícil mudar essa impressão. É que a sua presença não é dessas discretas, camufladas, num canto de sala. Ismar que diz: atente para isso ! e me mostra músicas cheias de violinos e outros instrumentos que só ele é capaz de inventar, num movimento de mãos, olhos e dentes.
A sua arquitetura é para ser estudada. De camisa listrada - ele cabe no seu corpo ? Sentado na cama, à meia-luz do abajur, as paredes com fotografias de filmes em preto e branco e citações de Bandeira a Sartre, Ismar às vezes é só fumaça de cigarro, pairando pelo quarto. Nos tênis, ele escreveu com caligrafia antiga: "um gênio", no esquerdo, "ou uma besta ?", no direito.
Os anjos tortos são sempre mais espertos, e preferem o gauche. Ismar que descarta uma cidade inteira com um levantar de sobrancelhas -- porque o que é feio e de mau gosto, ah que ele comenta ! Mas também, e principalmente, aquele que vibra, que não se contém num solo de trompete ou numa palavra bonita. Num observar de detalhes que parece que engole a gente, porque o menino é, acima de tudo, poeta.
A verdade é que Ismar não existe. É verbo na primeira conjugação, é criação da própria criatura, é personagem tão rico que expande os limites e dá inveja para os outros contadores de história."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-117012631500465305?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/117012631500465305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=117012631500465305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/117012631500465305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/117012631500465305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/sismar-amar.html' title='Sismar, amar...'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-117012454039798519</id><published>2007-01-30T00:25:00.000-02:00</published><updated>2007-01-30T00:35:40.413-02:00</updated><title type='text'>Ferreira Gullar</title><content type='html'>No mundo há muitas armadilhas
        e o que é armadilha pode ser refúgio
        e o que é refúgio pode ser armadilha

Tua janela por exemplo
       aberta para o céu
       e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
     a bater antes de Cabral, antes de Tróia


No mundo há muitas armadilhas
       e muitas bocas a te dizer
       que a vida é pouca
       que a vida é louca
       E por que não a Bomba? te perguntam.
       Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
       que a vida é louca?

Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
       que não sabe
       que afoito se entranha à vida e quer
       a vida
       e busca o sol, a bola, fascinado vê
       o avião e indaga e indaga

A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.
E não te mataste, essa é a verdade.

Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que alguém foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais
te matar
e agüentarás até o fim.

O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje

A estrela mente
o mar sofisma. De fato,
o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
No mundo há muitas armadilhas
e é preciso quebrá-las&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-117012454039798519?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/117012454039798519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=117012454039798519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/117012454039798519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/117012454039798519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/ferreira-gullar.html' title='Ferreira Gullar'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116925906711904026</id><published>2007-01-20T00:11:00.001-02:00</published><updated>2007-01-20T14:35:51.136-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;b&gt;Matt Costa, Astair&lt;/b&gt;
&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/hFckSl-CDEw"&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/hFckSl-CDEw" type="application/x-shockwave-flash" height="350" width="425"&gt;&lt;/object&gt;
Da série "Tudo o que uma canção precisa para ser linda"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116925906711904026?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116925906711904026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116925906711904026' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116925906711904026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116925906711904026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/matt-costa-astair-da-srie-tudo-o-que.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116879803496074436</id><published>2007-01-14T15:53:00.000-02:00</published><updated>2007-01-14T20:48:09.360-02:00</updated><title type='text'>Saudadezinha inconseqüente</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/777648/Viva-la-revolucion.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/290681/Viva-la-revolucion.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;












Passeando por aí
Eu comigo mesma
E mais ninguém
Pra ficar tudo bem
Ofuscar os problemas
Tornar as dores pequenas
Esquecer que os momentos
Se convertem em pensamentos
Eles são como bolinhas de metal pesado
Girando pra todo lado
Agora vê se te vira e agüenta
A confusão que se faz
Na caixinha de massa cinzenta
Que faz pesar
O que era leve
Leve
Me faltam músculos morais
Pra carregar tantos ais
Ah, que bobagem
Logo eu, que não confundo
Amor com miragem
Pergunto à nuvem negra
Quando é que o sol vai brilhar
E a mim mesma
Se minha razão vai voltar
"Quem não tem visão
bate a cara contra o muro"
Sabe
Eu nunca fui
Alguém de muitas certezas
Mas tem alguma coisa
Por trás desses olhos
Que me aflige
E é fulminante
A vontade de estar
Em qualquer lugar
Que você lance o olhar
E já não mais cabe
Tanta aflição
Por não saber
Por não ver
Por temer
Que tantas cores
Se desbotem assim
Pra mim
Deixando tudo aqui dentro
Em absoluta revolução
Ah...certas imagens
São capazes
De congestionar um coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116879803496074436?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116879803496074436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116879803496074436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116879803496074436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116879803496074436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/saudadezinha-inconseqente.html' title='Saudadezinha inconseqüente'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116853659559953600</id><published>2007-01-11T15:23:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T19:47:13.236-02:00</updated><title type='text'>Fome de amor cortês</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/943212/20021222-fale-com-ela-poster01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/49938/20021222-fale-com-ela-poster01.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
Com a palavra, &lt;span style="color: rgb(204, 0, 0);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Arnaldo Jabor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;:

&lt;div style="text-align: justify; font-family: georgia;"&gt;(...O amor deixa muito a desejar)
Fui ver o lindíssimo filme do Pedro Almodóvar, o Fale com Ela, e saí pensando num conto da Carson McCullers, em que um homem conta que, antes de amar de novo uma mulher, ele estava aprendendo a amar as pedras, as árvores, as nuvens... Nesse grande filme de Almodóvar, vemos amores raros, feitos de entrega, feitos de compaixão, como uma "doação ilimitada a uma completa ingratidão", como escreveu Drummond, aliás, o poeta do amor impossível, que é o único e verdadeiro amor.
Mas eu me pergunto: onde anda o amor? Até isso o mercado estragou?

Sim. O amor já teve um toque sagrado, a magia de uma inutilidade deliciosa, já foi um desafio ao dia-a-dia que nos tirava da vida comum.

Hoje, o amor, como tudo, está perdendo a transcendência. Não existe mais o amante definhando de solidão, nem Romeus nem Julietas, nem pactos de morte, não existe mais o amor nos levando para uma galáxia remota, não existe mais a simbiose que nos transportava a uma eternidade semi-religiosa. O amor tinha uma fome de bondade, de compaixão pelo outro, de proteção à pessoa amada. Isso está acabando. O amor já foi analisado por todas as ciências, a psicanálise mapeou as loucuras que estão sob sua poética, o ritmo do tempo atual acelerou o amor, o dinheiro contabilizou o amor, matando seu mistério impalpável. Hoje, temos controle, sabemos por que "amamos", temos medo de nos perder no amor e fracassar no mercado. O amor pode atrapalhar a produção.

Por isso, o filme de Almodóvar é tão belo e oportuno. Temos de fazer filmes assim, cheios de amor, sem efeitos, sem denúncias. Se eu, um dia, filmar de novo, será para celebrar o silêncio dos amantes ou a beleza do inútil. O amor perdeu a gratuidade, as pessoas "amam" por desejo de ter um amor que não sentem mais. O amor não tem mais porto, não tem onde ancorar, não tem mais a família nuclear para se abrigar, não tem mais a utilidade do sacrifício pelo "outro". O amor ficou pelas ruas, em busca de objeto, esfarrapado, sem rumo. Não temos mais músicas românticas, nem o lento perder-se dentro de "olhos de ressaca", nem nas "pernas de Fulana", nem temos as bocas beijadas por amantes "tutti tremanti", nem o formicida com guaraná. Não se diz mais: "Deus sabe quanto amei!...", mas "Deus nem sabe quantos (as) amei..."

A publicidade devastou o amor, falando na "gasolina que eu amo" ("Shell que j'aime"), no sabonete que faz amar, na cerveja que seduz. Há uma obscenidade flutuando no ar o tempo todo, uma propaganda difusa do sexo impossível de cumprir. Como comer todas as moças da lingerie e do xampu, como atingir um orgasmo pleno e definitivo? A sexualidade total, por si só, levaria a uma assexualização desértica. A sexualidade é finita, não há mais o que inventar. Já o amor, não... O amor vive da incompletude e esse vazio justifica a poesia da entrega. Ser impossível é sua grande beleza. Claro que o amor é também feito de egoísmos, de narcisismos mas, ainda assim, ele busca uma grandeza - mesmo no crime de amor há um terrível sonho de plenitude. Amar exige coragem e hoje somos todos covardes.

Amor e sexo. Mas, hoje o mercado exige a satisfação total no amor ou o dinheiro de volta.

Como isso é impossível, deriva para o sexo ou para a sedução. O amor passa a buscar não mais uma entrega, mas um domínio. O amor vira um objeto de consumo, fast-love, com obsolescência programada para durar pouco. O amor deixa muito a desejar. Em geral, o amor existe hoje como uma espécie de adoçante para justificar, legitimar uma tesão ou uma conquista. Os amores duram três edições de Caras. Os casais se permutam num troca-troca rápido e quantitativo. As próprias mulheres estão virando dom-juans. Vejam o périplo de jovens atrizes que vão comendo, um por um, os modelos que surgem nas revistas, elas, que deviam se manter damas inatingíveis para pálidos quixotes românticos.

Estamos com fome de amor cortês, num mundo em que tudo perdeu aura. O terrível bombardeio que a cultura americana está fazendo nos sentimentos é invisível, mas é pior que as bombas contra o Iraque. A cultura americana está criando um desencantamento insuportável na vida social. Tudo é tolerável, num arrasamento de mistérios. Vejam a arte tratada como algo desnecessário, sem lugar, sem uso, vejam as mulheres amontoadas na internet, nuas, com números - basta clicar e chamar.
Estamos virando coisas. Precisamos aprender a amar de novo as pedras, as árvores, as nuvens, até chegarmos a nós mesmos.   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116853659559953600?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116853659559953600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116853659559953600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116853659559953600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116853659559953600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/fome-de-amor-corts.html' title='Fome de amor cortês'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116848217268471328</id><published>2007-01-11T00:16:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:45:20.350-02:00</updated><title type='text'>Abre parênteses</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/404815/since%201988%20haha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 252px; height: 230px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/599625/since%201988%20haha.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;




Dia
Logos:







Hoje, numa loja qualquer:

- Procura uma P aí.
- Hum, acho que não tem.
- Tem que ter...
- Não tem, tô te dizendo, só G.
- Claro que tem, né, ninguém quer ser G!

&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A menina tinha uns sete anos.
Depois de finalmente despejar descaradamente o meu riso contido, fiquei com uma sensação ruim. É meio realista demais pensar que a menina, no auge dos seus mais ou menos sete anos de existência, já tem essa idéia da imagem que todo mundo quer ter. Essa imagem que todo mundo quer ter porque um belo dia alguém decidiu estereotipar a beleza e nos enfiar goela abaixo. No tempo das nossas mães, eram só bonecas, bonecas com rosto e roupa de boneca - aquelas pra pegar no colo e dar comidinha, isso quando podia tirar da caixa, porque "suja!". Hoje o que figura as vitrines e os desejos pueris femininos (isso quando elas descobrem que não dá pra vestir e pentear um aparelho de mp3, claro) são as barbies, embaladas e plastificadas em seus trajes diário-noturno-esportista-empresário-cinegrafista-veterinário-eaputaqueopariu, incluindo a puta, aliás. Fiquei imaginando a menina, que deve ter umas duzentas e cinquenta barbies, crescendo e se tornando uma dessas escravas do culto à imagem externa. Terrível: notei que também se pode ficar subnutrido de inocência.
E o mundo vai ficando feio.
Fecha parênteses, por favor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116848217268471328?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116848217268471328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116848217268471328' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116848217268471328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116848217268471328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/abre-parnteses.html' title='Abre parênteses'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116847765891755505</id><published>2007-01-10T22:54:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:45:46.563-02:00</updated><title type='text'>Pra não dizer que não lembrei das flores.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/454039/capa_jt_censura_730406.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 206px; height: 300px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/781988/capa_jt_censura_730406.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/118860/anistia1_78.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 216px; height: 284px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/709691/anistia1_78.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;span style="color: rgb(0, 51, 0);font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 51, 0);font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Nota            sobre &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Apesar de você&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style="color: rgb(0, 51, 0);font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;b&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;           Por Humberto Werneck:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;1968 , Rua Maria Antônia, prédio da Faculdade de Filosofia, Ciências            e Letras da USP. A porta da sala de aula é aberta como se tivesse            levado um coice e aparecem três soldados armados com metralhadoras.            Diante de 200 alunos, a professora de Ciências Sociais, Jessita            Nogueira Moutinho, de 24 anos, encara bem os soldados e, com voz firme,            pergunta:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Vocês            são meus alunos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-Não,            mas é que estamos procurando uma pessoa e...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;-Isto aqui            é uma sala de aula e aqui dentro só ficam o professor            e alunos. De maneira que vocês podem se retirar. Se vocês            querem pegar alguém não será em minha aula. Com            licença, por favor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A professora            indica a porta, os soldados saem e esperam do lado de fora. Quando a aula            termina, os soldados entram de novo, mas o tal aluno, claro, já estava            longe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No            início de 1970, Chico volta ao Brasil em meio a um estardalhaço            (organizado por recomendação de Vinícius), que            incluía especial para a Globo, show no Sucata e o lançamento            do LP Chico Buarque Vol 4. Mas o Brasil não era aquele descrito            nas cartas de André Midani. A tortura e desaparecimento de pessoas            contrárias ao regime do general Médici eram uma constante.            O ufanismo do ditador ("Ninguém segura este país")            aderia aos carros ("Brasil, ame-o ou deixe-o", quando não            "Ame-o, ou morra!"), e a algumas canções populares            ("Ninguém segura a juventude do Brasil"), tudo isso            no ano que a seleção canarinho conquistaria o tricampeonato            mundial. Chico fez "com os nervos mesmo" &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt;            e enviou para a censura certo de que não passaria. Passou. O            compacto com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Desalento&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt; atingia a marca de 100            mil cópias quando um jornal insinuou que a música era            uma homenagem ao presidente Médici. A gravadora foi invadida,            as cópias destruídas.
 Num interrogatório quiseram saber de Chico quem era o VOCÊ: "É uma mulher muito mandona, autoritária", disse ele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;
&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;font-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(Muito bom, Chico! Muito bom.)
&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style="color: rgb(0, 51, 0);font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:100%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style="color: rgb(0, 51, 0);font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:100%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;...E sobre &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Samba de Orly&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style="color: rgb(0, 51, 0);font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:100%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;         &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: georgia; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Juntos,            viram o homem pisar pela primeira vez na Lua, em julho de 1969. À            distância, acompanharam o surgimento da luta armada no Brasil,            o primeiro seqüestro de um embaixador estrangeiro para obter a            libertação de prisioneiros políticos, o dramático            esfarinhamento da esquerda brasileira em miríades de grupúsculos.            Em novembro, Toquinho resolveu voltar. No último dia, foi ao            apartamento de Chico e lhe mostrou um samba ainda sem letra. Só            então teve coragem de contar que estava partindo. "Fiz essa            música de saudade mesmo", disse, "vou embora amanhã".            Era o Samba de Orly, com todo aquele clima de exílio, de impossibilidade.            Toquinho conta que Chico fez na hora os versos finais:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         &lt;/div&gt;&lt;p  style="font-style: italic; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E diz como é que anda
 aquela vida à toa
 e se puder me manda
 uma notícia boa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" face="georgia"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bem depois, quando estava preparando o LP Construção,            Chico convidou Vinícius para ajudar na letra. Três dos            versos que o poeta escreveu:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         &lt;/div&gt;&lt;p  style="font-style: italic; text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;pede perdão
 pela omissão
 um tanto forçada...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116847765891755505?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116847765891755505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116847765891755505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116847765891755505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116847765891755505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/pra-no-dizer-que-no-lembrei-das-flores.html' title='Pra não dizer que não lembrei das flores.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116822526819597296</id><published>2007-01-08T00:39:00.001-02:00</published><updated>2007-01-08T01:01:08.196-02:00</updated><title type='text'>"Não me leve a mal, me leve apenas para andar por aí"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/251461/muscio3.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 220px; height: 170px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/200/244166/muscio3.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;


&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O tempo, nublado
A cor, cinza
Os humores, eufóricos
A música, alta
Horas a menos
Ares amenos
Pessoas, muitas
Dinheiro, pouco
Madrugada adentro
Mundo afora
A rua, entupida
Os copos, cheios
A alma, vazia
O clima, leve
Pensar, fato
Sentir, ato
O encanto, exato
Os silêncios, intencionais
O cheiro, característico
O gosto, velho conhecido
Os abraços, bem vindos
O riso, uníssono
Os devaneios, contínuos
Seriedade, onde?
Importância, importa?
Doçura, eu vi, eu vi!
O tempo, breve
As cores, todas
Aqui
Ali
Pra cá
Pra lá
Compaixão
- ei! -
Com paixão.






Abre aspas, Guimarães Rosa, 'O grande sertão veredas' :

"&lt;/span&gt;Entendi aquele valor. Amizade nossa ele não queria acontecida simples, sem encalço. A amizade dele, ele me dava. E amizade dada é amor.&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; Eu vinha pensando, feito toda alegria em brados pede: pensando por prolongar. Como toda alegria, no mesmo do momento, abre saudade. Até aquela - alegria sem licença, nascida esbarrada. Passarinho cai de voar, mas bate suas asinhas no chão."

&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;lindo&lt;/span&gt; de doer isso, cara!





&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116822526819597296?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116822526819597296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116822526819597296' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116822526819597296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116822526819597296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/no-me-leve-mal-me-leve-apenas-para_08.html' title='&quot;Não me leve a mal, me leve apenas para andar por aí&quot;'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116801934543499144</id><published>2007-01-05T15:47:00.000-02:00</published><updated>2007-01-05T17:11:32.050-02:00</updated><title type='text'>Vem cá.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;"Considerando a frio, imparcialmente,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que o homem é triste, tosse e, sem embargo,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;se alegra em seu peito colorido;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que a única coisa que faz é compor-se&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;de dias;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que é lôbrego mamífero e se penteia...&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Considerando&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que o homem procede suavemente do trabalho&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e ressoa chefe e soa subordinado;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que o diagrama do tempo&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;é constante diorama em suas medalhas&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e, semi-abertos, seus olhos estudaram,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;desde distantes tempos,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;sua fórmula famélica de massa...&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Compreendo sem esforço&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que o homem fica, às vezes, pensando,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;como querendo chorar,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e, sujeito a estender-se como objeto,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;se torna bom carpinteiro, sua, mata&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e depois canta, almoça, se abotoa...&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Examinando, enfim,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;suas contraditórias peças, sua latrina,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;seu desespero, ao terminar o dia atroz, apagando-o...&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Considerando também&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que o homem é na verdade um animal&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e, não obstante, ao voltear, me dá com sua tristeza na cabeça...&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Compreendendo&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que ele sabe que o quero,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que o odeio com afeto e me é, em suma, indiferente...&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Considerando seus documentos gerais&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e examinando com lentes aquele certificado&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;que prova que nasceu muito pequenino...&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;faço-lhe um sinal,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;vem,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;e lhe dou um abraço. "&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;" &gt;(César Vallejo, tradução por Ferreira Gullar.)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116801934543499144?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116801934543499144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116801934543499144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116801934543499144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116801934543499144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2007/01/vem-c.html' title='Vem cá.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116750650051815651</id><published>2006-12-30T17:20:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:34:55.456-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/73735/200330017-001.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/200/729844/200330017-001.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;
&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Que as músicas toquem, que os corações amem, que as mãos abracem, que os ouvidos escutem, que a bebida não esquente na mesa, que palavras não sejam ditas em vão, que os átomos continuem indivisíveis, que os homens criem nova consciência, que a camada de ozônio seja preservada, que as geleiras continuem onde estão, que o sistema solar ganhe mais personagens, que Chico continue cantando, que Gullar escreva, que as segundas-feiras sejam breves, que a felicidade não caiba, que os olhares sejam profundos, que os sorrisos sejam verdadeiros, que novos temperos sejam inventados, que os jornais digam a verdade, que Heloisa Helena compre roupas, que se extingua a estupidez, que a primavera mude as coisas, que a ternura seja muita, que as contas sejam poucas, que digamos mais "bom dia", que caminhos se cruzem, que bocas se encontrem, que a fome não seja muita, que a sensibilidade não seja pouca, que poesias emocionem, que a chuva caia, que o sol se ponha, que a beleza exista, que seja doce.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Que assim seja.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;


&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Um brinde aos 365 novos dias que dizem "olá".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;


&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Em outras palavras:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;"Mash-ups, tecnologias, festas, cervejas, discos, jazz, indie rock, soul brasileiro, escritos tortos, amigos, Semana 3 cinco anos (vamo aí, Carlos, agitar uma parada relativa), panamericano no Rio,noites em claro, viagens, começos, canções sem fim, filmes deslumbrantes, Vila Madalena, exposições, economia neoliberal pro buraco, desenvolvimentismo pra trouxa vindo à tona, libertadores, paulista com final, don't stop the music, noites fora de casa, noites em casa, livros, teatro, poesia, vinho, nouvelle vague japonesa, van morrison, são paulo futebol clube, caixas de som, sorrisos, risadas, pulos em mar, rios que passam em meio a vidas, samba, dance dance dance, cidade universitária, studio sp, mãos para cima sem ser assalto, união, saúde, tardes com leseira, preguiça esporte clube (só para variar um pouquinho), Cat Empire, shows, Radiohead, KILO (eu vou Zé, eu vou), mesas de bares, franz café de fim de noite, champions league, walter lima jr, tim festival. ufa. e isso é só 10%. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vem, 2007. Vem. Que seja bom pra todo mundo.&lt;/span&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;De alguém modesto demais para admitir que isto teve o pingo no i de poesia. Né, Ric?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;http://partidabr.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;


&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116750650051815651?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116750650051815651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116750650051815651' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116750650051815651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116750650051815651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/que-as-msicas-toquem-que-os-coraes.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116666817821720948</id><published>2006-12-21T00:26:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:36:11.700-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/589843/10.09%20039.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/200/557647/10.09%20039.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se aquela rua, se aquela rua fosse minha, eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhante e gravar numa lembrança fotográfica.  Ah, se mandava.

...
!
&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116666817821720948?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116666817821720948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116666817821720948' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116666817821720948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116666817821720948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/se-aquela-rua-se-aquela-rua-fosse.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116666788752730899</id><published>2006-12-21T00:23:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:43:34.753-02:00</updated><title type='text'>Simpatia não é nada banal, dá dizia Casimiro de Abreu.</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;

&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Simpatia - é o sentimento&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Que nasce num só momento,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Sincero, no coração;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;São dois olhares acesos&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Bem juntos, unidos, presos&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Numa mágica atração.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Simpatia - são dois galhos&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Banhados de bons orvalhos&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Nas mangueiras do jardim;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Bem longe às vezes nascidos,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Mas que se juntam crescidos&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;E que se abraçam por fim.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;São duas almas bem gêmeas&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Que riem no mesmo riso,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Que choram nos mesmos ais;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;São vozes de dois amantes,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Duas liras semelhantes,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Ou dois poemas iguais.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;Simpatia - meu anjinho,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;É o canto de passarinho,&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;É o doce aroma da flor;&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;São nuvens dum céu d'agosto&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;É o que m'inspira teu rosto...&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;" &gt;- Simpatia - é quase amor!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116666788752730899?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116666788752730899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116666788752730899' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116666788752730899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116666788752730899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/simpatia-no-nada-banal-d-dizia.html' title='Simpatia não é nada banal, dá dizia Casimiro de Abreu.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116666650858555455</id><published>2006-12-20T23:56:00.001-02:00</published><updated>2007-01-11T00:40:06.946-02:00</updated><title type='text'>Sensibilidade.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Meu lado nerd convicto pede licença para transferir pra cá um texto do vestibular da Unesp deste ano, que achei de uma sensibilidade! Tão rara que chega a doer. Me afetou.&lt;/span&gt;


&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Érico Veríssimo, Incidente em Antares, 1974:&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;"Fez um novo silêncio. De fora vinham vozes humanas. De vez em quando se ouvia o zumbido do elevador do hospital. Tombou uma pétala de uma das rosas. Quitéria soltou um suspiro. Zózimo agora parecia adormecido. Tibério pensou em Cleo com uma &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;saudade tátil&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;- Neste quarto, Tibé - disse Quitéria - dentro destas quatro paredes, nós temos falado em assuntos em que nunca tínhamos tocado antes. Nossa morte, por exemplo...&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;- Pois não lhes gabo o gosto - resmungou Tibério.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia; font-style: italic;"&gt;- Tibé, tens fama de valente. Vives contando bravatas, proezas em revolucões e duelos...patacoadas! No entanto, tens medo de pensar na tua morte, tens horror a encarar a realidade. - Tirou os óculos, limpou-lhes as lentes com um lencinho, e depois prosseguiu: - Que esperas mais da vida? Os nossos filhos estão criados, não precisam mais de nós. Mais que isso: não querem saber de nós, de nossas idéias, de nossas manias, de nossa maneira de pensar e viver. Acho que todo homem vê sua cara todas as manhãs no espelho, na hora de se barbear. Que é que o espelho diz? Diz que o tempo passa sem parar. E que essas manchas que a gente tem no rosto (tu, eu, todos os que chegam à nossa idade), essas manchas pardas são bilhetinhos que a vida escreve na nossa pele. Eu leio todos os dias esses recados, mas tu, Tibé, tu és analfabeto ou então te fazes de desentendido."&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;

E então eu fiquei com essa idéia de "saudade tátil" na cabeça, não sai mais.&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116666650858555455?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116666650858555455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116666650858555455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116666650858555455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116666650858555455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/sensibilidade_20.html' title='Sensibilidade.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116587623452923668</id><published>2006-12-11T20:25:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:42:41.690-02:00</updated><title type='text'>Café e bobagem.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/384974/04.11%20016.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 261px; height: 203px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/439881/04.11%20016.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Tem dias que a gente senta e toma &lt;span style="font-size:130%;"&gt;coragem&lt;/span&gt;
Tem dias que a gente senta e toma uma &lt;span style="font-size:130%;"&gt;cerveja&lt;/span&gt;
Tem dias que a gente senta e toma uma &lt;span style="font-size:130%;"&gt;decisão&lt;/span&gt;
Tem dias que a gente senta e toma um &lt;span style="font-size:130%;"&gt;tapa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;na cara&lt;/span&gt;
Tem dias que a gente senta e toma &lt;span style="font-size:130%;"&gt;qualquer coisa&lt;/span&gt;...
&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Olho para baixo, e você no meu café.&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116587623452923668?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116587623452923668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116587623452923668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116587623452923668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116587623452923668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/caf-e-bobagem.html' title='Café e bobagem.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116587576610468855</id><published>2006-12-11T20:12:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:44:30.523-02:00</updated><title type='text'>1 kg de sentimento não-perecível</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/732570/viver72.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 257px; height: 147px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/498477/viver72.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foto: Guimarães Rosa, O grande sertão: veredas (Estação da Luz)

Definições pra cá
Definições pra lá
E eu que só queria um lugarzinho pra me encostar
Desses aconchegantes, acolhedores
Como abraço com cheiro de banho
Me recolhe pra dentro
De onde quer que seja
E me conta de você
Mesmo que não seja interessante
Nem sempre podemos ser interessantes
Na maior parte do tempo nos resumimos a um ser de saco-cheio, cansado, querendo explodir, ou querendo um lugar
Pra se encostar...
"O melhor está nas entrelinhas"
Acredito nisso
Engoli essas palavras e vomitei-as em forma de certeza
Certeza de que é assim, é simples.
Não precisa ser de outro jeito
Mas as definições gritam!
Definições inteligentes, profundas, retóricas
A vida dispensa a metafísica?
Mas se o amor fosse comparado a coisas desse mundo teimoso
Trataria de definí-lo como algo bem pragmático, que é pra perder a graça
E eu parar de querer definí-lo
Logo eu, que sempre carrego grandes quantias
Nunca me dão troco
E eu saio só com o sorriso amarelo
E com uma mão na frente, e a outra atrás.
Essa bobagem não satisfaz
Não falo de coisa muito séria, não
Aquela coisa que põe aliança e apresenta para os tios
Não.
Apresenta para a alma, que já fica tudo bem.
Procuro doçura nos potes de açúcar - adoçante não, obrigada.
Com a acidez da vida a gente se entende
Adoça daqui, adoça de lá
E eu que só queria um lugarzinho pra me encostar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116587576610468855?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116587576610468855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116587576610468855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116587576610468855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116587576610468855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/1-kg-de-sentimento-no-perecvel.html' title='1 kg de sentimento não-perecível'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116528332891420674</id><published>2006-12-04T23:41:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:44:56.706-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Quanto nos lembramos das pessoas? Da primeira impressão?&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Uma ou outra coisa que ouvimos,  é assim como guardamos as caras, sempre caladas.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Mas é incrível como reconhecemos uma expressão. A memória embaça, as caras perdem linhas e contornos, mas existe uma coisa que não tem nome, não tem forma, e a isso chamo expressão. Quando eu digo que não confio em retrato é porque o momento registrado é tão irreal quanto o tempo (e se o tempo não pára...), e tão irreal quanto o fato da pessoa que registra a foto não sai no momento. Talvez aí esteja a graça.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Gosto demais de fotografia, sou totalmente suspeita para opinar.&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Mas e você, como gostaria de se lembrar de alguém?&lt;/span&gt;


&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116528332891420674?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116528332891420674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116528332891420674' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116528332891420674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116528332891420674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/quanto-nos-lembramos-das-pessoas-da.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116528275899775297</id><published>2006-12-04T23:28:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:46:45.153-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/775754/pb108910.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/320/150402/pb108910.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Vida: qualquer coisa diferente de obrigação. "Ah, isto é que é vida", dizem as pessoas quando saem de férias... Esperando pra poder dizer isso, e com um enorme sorriso no rosto!&lt;/span&gt;





&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;"Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Escreva por algum motivo, mas o faça. Ou escreva só para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite, se quiser."&lt;/span&gt;



&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116528275899775297?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116528275899775297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116528275899775297' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116528275899775297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116528275899775297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/vida-qualquer-coisa-diferente-de.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116528085752213544</id><published>2006-12-04T22:55:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:49:12.806-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Outro entre os tantos que traduzem os meus deliriozinhos internos, da série &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Arrumar pastas pode te fazer redescobrir coisas interessantes"&lt;/span&gt;:&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Carlos Drummond de Andrade:&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;"O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa. Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando. Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios. Até agora não encontrei nada. Ou, encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda. Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível, e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Neste dia vou rir de todos. Ou não.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar &lt;span style="font-size:85%;"&gt;e direito de esconder&lt;/span&gt;."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116528085752213544?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116528085752213544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116528085752213544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116528085752213544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116528085752213544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/12/outro-entre-os-tantos-que-traduzem-os.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116451398109724959</id><published>2006-11-26T02:04:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:59:20.226-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E aqui, dois textos muito antigos que pedem bis:&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;"E tudo o que ele dissesse sobre a verdade&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;sobre o bem e sobre o belo&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;não significava mais para a maioria das pessoas &lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;do que uma rosa para uma vaca.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Cansada dessas histórias fantásticas mirabolantes sobre bem e mal&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;quando um se deixa inexistir para dar lugar ao outro&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Vida: que pode ser triste, mas o triste é impossível&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E tudo isso só porque o oposto deixou de existir &lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;quando da felicidade nasceu a tristeza e da tristeza, a felicidade&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Assim intercalados. &lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E nada mais no mundo teve nome &lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;quando a sombra comprou sapatos vermelhos de verniz&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;e nunca mais parou de dançar."&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Albert Béguin.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116451398109724959?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116451398109724959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116451398109724959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116451398109724959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116451398109724959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/11/e-aqui-dois-textos-muito-antigos-que.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116451022513247503</id><published>2006-11-26T00:58:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:48:02.473-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/1600/776945/10.09%20033.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4311/2842/200/347839/10.09%20033.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Eu ando com saudades do pôr-do-Sol, logo dele, que está sempre ali.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116451022513247503?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116451022513247503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116451022513247503' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116451022513247503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116451022513247503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/11/eu-ando-com-saudades-do-pr-do-sol-logo.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116450940459451960</id><published>2006-11-26T00:43:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:47:24.903-02:00</updated><title type='text'>Para rir no mesmo riso.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;"...Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar. "&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family: georgia; font-weight: bold;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116450940459451960?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116450940459451960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116450940459451960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116450940459451960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116450940459451960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/11/para-rir-no-mesmo-riso.html' title='Para rir no mesmo riso.'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116398755161808077</id><published>2006-11-19T23:44:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:54:41.850-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com a palavra, Rubem Alves:&lt;/span&gt;


&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Pipoca&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"As comidas, para mim, são entidades oníricas.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido? Pois tem...&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E o que é que isso tem a ver? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...&lt;/span&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso o que aconteceu".&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;
&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116398755161808077?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116398755161808077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116398755161808077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116398755161808077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116398755161808077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/11/com-palavra-rubem-alves-pipoca-as.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-116398624295700943</id><published>2006-11-19T23:21:00.000-02:00</published><updated>2007-01-11T00:53:28.843-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4311/2842/1600/1146586255_f.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 261px; height: 205px;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4311/2842/320/1146586255_f.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;"Eu, quando olho nos olhos&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;sei quando uma pessoa&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;está por dentro&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;ou está por fora&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;quem está por fora&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;não segura um olhar&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;que demora...&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;de dentro de meu centro&lt;/span&gt;
&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;este poema me olha."&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;- Paulo Leminski&lt;/span&gt;

&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Com um brilhozinho nos olhos, tentamos saber para lá do que se pode achar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-116398624295700943?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/116398624295700943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=116398624295700943' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116398624295700943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/116398624295700943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/11/eu-quando-olho-nos-olhos-sei-quando.html' title=''/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-114661782211212325</id><published>2006-05-02T21:20:00.000-03:00</published><updated>2007-01-11T01:00:06.076-02:00</updated><title type='text'>Tem coisas que só um palavrão faz por você</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4311/2842/1600/Basquiat%20-%20because%20it%20hurts.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;

&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Cacete - me desculpem pelo palavrão, e pelo negrito do mesmo - Sabe aquela história de que tem algumas sensações que só mesmo um palavrão pode expressar? pois é; e acreditem: este é até simpático perto de outros que falo quando trombo com a mesa, ou quando minhas coisas caem repetidamente no chão - Aquela história ali do lado de que eu sou uma mistura confusa de todas as informações que recebi é bem verdade mesmo, bem verdade. Agora mesmo estava pensando nessa mistura: estava ouvindo Verve, lendo crítica de cinema, procurando pormas de Gullar e lendo sobre Basquiat, mais precisamente escolhendo o quadro mais colorido pra postar aqui, quando pensei &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"cacete!"&lt;/span&gt; Isso porque eu nem estava ouvindo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tonight, Tonight&lt;/span&gt;, enquanto saboreava a sonoridade suja Hermanística, e isso porque eu nem estava ouvindo Chico Buarque e cantando Doris Day. Aí eu pensei que legal seria se tudo pudesse ser colocado num liquidificador ou coisa do tipo, pra ver no que dá. Que tal Amarante em pop art, ou Chico vestido &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a la beatles style&lt;/span&gt; cantando Bandages. Seria bem bonito de se ver. Meu deus, e que besta que eu sou. Às vezes que gostaria de ser como aquelas pessoas que fazem de tudo ao mesmo tempo: cursam fotografia, fazem teatro, canto, piano, jazz, crochê, bordado inglês, mandarim culinária e todo tipo de coisa. Tá, mentira. Mas não consigo mais viver nem um segundo diferente, sem ter um íman me puxando pra todo tipo de coisa, sem ter sede por informação, vontade de acumular significados, atribuir sentidos, palavras, frases, fotos, cores; e nem queria. Mas como o dia só tem 24 horas, e eu só 2 olhos, deixa estar.

&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;"Chaos is a kind of perfection; and it's the only one."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:180%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-114661782211212325?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/114661782211212325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=114661782211212325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/114661782211212325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/114661782211212325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/05/tem-coisas-que-s-um-palavro-faz-por.html' title='Tem coisas que só um palavrão faz por você'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-114635704978585252</id><published>2006-04-29T21:26:00.000-03:00</published><updated>2007-01-11T00:52:26.180-02:00</updated><title type='text'>Vizinhos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;...

&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Estava parada na esquina, esperando um amigo para o teatro. Um calor extremo como tinha sido a semana toda, e eu não pude evitar de sair de casa com alguma coisa que não fosse uma saia relativamente curta. Encostei na parede, enquanto esperava. Já estava escuro, e a árvore grande que beirava a calçada tornava a minha presença alí na esquina ainda mais suspeita para os vizinhos. As pessoas são estranhas, de um modo geral, mas se elas pudessem ser divididas por classes, a que mais me intrigaria é a dos vizinhos: eles vivem debruçados em suas janelas, com suas caras de exclamação, aspirantes por qualquer rastro de novidade; aí, você, por pura ironia, passa por eles e diz &lt;span style="font-style: italic;"&gt;olá&lt;/span&gt; (afinal, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boa noite&lt;/span&gt; é muito formal pra você, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e aí, beleza?&lt;/span&gt; inadequado ao momento) - eles mal respondem ao seu simpático e amarelo oi, agem como se mal te conhecessem, embora saibam todos seus horários, compromissos, companhias. Que seja, o fato é que eu estava parada na esquina, sendo vítima de olhares especuladores, de quem estava tentando entender o que eu fazia alí, já imaginando que eu pudesse ter arranjado um emprego noturno, ou que tivesse sido expulsa de casa. O mais mórbido e assustador é que eu tenho algum tipo de radar pra esses tipos de pessoas, e ainda ajudo a alimentar suas falsas expectativas ao meu respeito. Adoro causar impressões de mentira, do tipo dessas que a pessoas perdem um tempo considerável criando histórias pra sua vida, e dizendo coisas do tipo: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Olha só se pode, uma mocinha tão novinha já perdida na vida. O que faz fora de casa a essa hora? Onde estão os pais dessa menina? Aposto que são uns irresponsáveis...&lt;/span&gt; - Aí em algum momento você desfaz a pose que estava fazendo de propósito, e a pessoa vê que perdeu 15 minutos criando um roteiro pra vida alheia, e que esses 15 minutos nunca mais vão voltar: a novela já está quase acabando, a comida já está fria, e não se tem mais ninguém para bisbilhotar na frente da janela.
Meu amigo chega, eu atravesso a rua e dou uma última olhada para minha querida roteirista. Não foi dessa vez, vizinha.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-114635704978585252?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/114635704978585252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=114635704978585252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/114635704978585252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/114635704978585252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/04/vizinhos.html' title='Vizinhos'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-27068989.post-114610025055964404</id><published>2006-04-26T22:03:00.000-03:00</published><updated>2006-11-19T23:32:00.766-02:00</updated><title type='text'>Acomodando idéias</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4311/2842/1600/1139364202_f.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4311/2842/320/1139364202_f.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:times new roman;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:times new roman;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:times new roman;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/27068989-114610025055964404?l=pingo-no-i.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/feeds/114610025055964404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=27068989&amp;postID=114610025055964404' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/114610025055964404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/27068989/posts/default/114610025055964404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pingo-no-i.blogspot.com/2006/04/acomodando-idias.html' title='Acomodando idéias'/><author><name>Renata Penzani</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01567186687566227388</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_tBLu8TZDWWw/SWQcLXsdMzI/AAAAAAAAAPI/K97C6Zg8YHM/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
